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20 anos de Super Nintendo – Parte 1

Este post é parte do especial “20 anos de Super Nintendo” que comemora os 2o anos de lançamento do console. São ao todo quatro posts, onde cada membro do site comenta sobre os três games mais importantes do console em sua vida, sendo organizados por um índice geral.

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Super Mario WorldSuper Mario World

Sei que Super Mario World provavelmente será escolhido por algum outro membro do site, até tentei escolher outro, mas cheguei à óbvia conclusão de que não há em minha experiência com o Super Nintendo um jogo que foi mais relevante que este.

Ao contrário da maioria dos consoles que conheci, a primeira vez que vi um Super Nintendo funcionando foi na minha própria casa, trazido por um amigo de Ribeirão Preto, o Anderson, lá pelos idos de 1992. O jogo, claro, Super Mario World.

Talvez só quem viveu a época dos 8-16 Bits sabe como é grande o impacto de se ver pela primeira vez um videogame mais evoluído tecnologicamente ou de uma próxima geração. O espanto que Punch-Out! do NES e o Altered Beast do Mega causara (fiquei uma meia-hora contemplando a abertura de ambos, na área de games do Ribeirão Shopping), Super Mario World também causaria neste dia.

O ainda chamado Super Mario Bros. 4, sequência do fantástico (e pra mim melhor da série até hoje) Super Mario Bros. 3 de NES, certamente foi um dos games mais aguardados de todos os tempos. Ainda guardo como se fosse ontem as imagens borradas que eram mostradas nas revistas de videogame da época, mais notadamente a saudosa Videogame. Imagens estas que formavam em nossas mentes o desenho imaginário do jogo, quase sempre beirando a perfeição. A comparação entre esta projeção mental com a sua versão final e real quase sempre leva à frustração.

Super Mario World não sofre desse dilema. Um mapa-múndi único que se transforma de acordo com as ações do jogador, deixando sempre uma dúvida do tipo: “o que poderia haver naquelas ilhas?”. Suas 96 saídas de fase e as múltiplas possibilidades de se passar de cada uma delas. Seus bônus, truques, segredos, bugs e interações com inimigos e itens quase infinita.

 É, independentemente do tempo decorrido, um dos maiores jogos de plataforma criados até hoje. Mesmo após vencer o game há elementos, dinâmica e ambientação com qualidades suficientes para, mesmo após 20 anos, envolver o jogador como nos velhos tempos.

 

F-ZeroF-Zero

A primeira vez que vi este game foi no lendário programa Globo Repórter sobre “A Febre do Videogame”. Desconsiderando a cíclica, conveniente e desinformada crítica que os games recebem dos programas televisivos no país, este em especial foi responsável por arrebatar o gamer brasileiro com imagens incríveis de alguns jogos do novo Super Famicom, entre eles Super Mario World (sala e ante-sala do último chefe) e F-Zero, além do incrível Battletoads de NES (segunda fase). Lembro-me da cena de um game de corrida futurista onde um carro (na verdade uma nave) corria a uma velocidade absurda, trombava nos cantos da pista, fazendo a tela rotacionar furiosamente, abusando do mode 7, o chip gráfico  do SNes, e o final épico, com o carro explodindo, a câmera prosseguindo devagar à frente do fatídico local, dando meia-volta para mostrar de maneira dramática e cinematográfica a torrente de fumaça do veículo. Coisa de Shigeru Miyamoto.

A genialidade do nome, que sugere uma evolução futurística da atual F1, se repete no jogo. A já citada dramaticidade cinematográfica também aparece nos diversos ângulos de câmera que se alternam de acordo com o desempenho do jogador, ao término da corrida: hora ela segue o vitorioso carro, hora para na linha de chegada, deixando o perdedor prosseguir sozinho em sua derrota.

Enquanto que nos jogos, digamos… normais, numa eventual rodada podemos contemplar todos os ângulos do veículo na sempre fixa câmera, em F-Zero há uma rotação que faz toda a diferença na imersão e sensação de velocidade. As músicas parecem com as de um filme: há os momentos mais calmos e faixas onde a tensão predomina (em especial, Death Wind), fazendo um bom papel na ambientação. O que gosto nos gráficos são as construções futurísticas, em especial no entorno da pista, aonde, por vezes, é possível ver uma espécie de cidade hiper-futurista que, devido à velocidade e quantidade de luzes, mais parece um circuito integrado, com suas vias e informações viajando a uma velocidade absurda.

Reviews menos inspiradores podem limitar o game à categoria de cafona (fato este reclamado pelo meu irmão, numa carta lida no ar, ao programa Stargame). F-Zero precisa ser visto com olhos da inovação que o mesmo trouxe aos games de corrida, tanto na dinâmica (naves que flutuam e que quase dispensam pit-stops), quanto na imersão do jogador (cinematografia) e na inusitada (para games de corrida até então) ambientação cibernética.

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Star FoxStar Fox

Um dia, dentro do Ribeirão Shopping (sempre ele!) me chamou a atenção quando vi um amontoado de pessoas parecendo assistir algo numa TV, numa loja de eletroeletrônicos. Aproximei-me para ver do que se tratava (um game, quem sabe!?) e aos poucos o que antes eram frases de incentivo e empolgação e uma música agitada, agora era um silêncio icônico da pequena multidão, seguindo a música que também parara em fade-out.

Quando finalmente pude ver a imagem do Star Fox na pequena TV, jogo que nunca havia visto entendi o motivo do silêncio repentino: uma nave enorme, poligonal como todo o jogo, acompanhada por uma música tensa, aparecia por detrás da nave do jogador, remetendo ao enorme destroier de Star Wars. A pessoa, provavelmente iniciante no game, foi massacrada pela nave inimiga. Game over com direito a queda e capotagem da nave, dramaticamente acompanhada pela câmera mais baixa e lateral.

A cena acima descrita pode até parecer normal para alguns hoje, mas para quem só havia tido contato com games poligonais em PC (Stunts, por exemplo), ver aquilo foi uma experiência única, a ser lembrada e documentada. Jogos poligonais eram prometidos como o futuro dos videogames e a expectativa que Star Fox criou foi muito grande.

Star Fox é um daqueles jogos que, assim como certos filmes de Ficção Científica, fazem-nos sentir como se realmente estivéssemos em outro mundo, bem diferente do nosso. Ao terminar uma partida deste game, há aquele choque da volta àquele mundo nada poligonal, às vezes com “missões” enfadonhas e indefinidas, mas por vezes muito prazeroso, conhecido como “realidade”.

Talvez essa estranha e bem-vinda sensação ocorra devido à engenhosidade como tudo funciona e a “vida” que o game ganha com esses atributos. Os personagens que fogem do clichê “Aliens” e mais parecem uma versão de Planeta dos Macacos pós-macacos. A peculiar comunicação entre eles com grunhidos. A interação entre as suas naves, tanto em termos de jogabilidade, quanto ao enredo e à possibilidade de morte dos companheiros. Todos são ingredientes que, somados à representação poligonal e a outros quesitos de jogo (como os múltiplos caminhos), fazem com que Star Fox seja um dos games mais memoráveis do Super Nintendo.

 

Idealizador e criador do Passagem Secreta, vencedor do prêmio Top Blog, cientista da computação, pós-graduado em Educação, professor e, nas horas vagas, gamer.

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  1. 5, dezembro, 2011 em 16:05 | #1

    Que bacana essa ideia !!

    Queria participar dessa eleição :<(

    Estou ansiosa para ver os próximos….

    • 5, dezembro, 2011 em 16:38 | #2

      Que bom que gostou, Rita!

      Infelizmente não escolhemos os jogos por eleição, apenas escolhemos três jogos dos quais tivemos mais contato ou que gostamos mais do console.

      Mas, se o pessoal da blogosfera se interessar e comentar, poderia até rola um Meme entre blogs. Faço até uma versão do banner sem o nome ""Passagem Secreta".

      Abraço!

  2. 5, dezembro, 2011 em 20:08 | #5

    Todos os três títulos foram muito importantes para os jogos das gerações posteriores, deve ter sido bem difícil escolher apenas três jogos, pois o SNES teve uma série de jogos que trouxeram novos conceitos aos vídeo-games. Está muito legal essa homenagem, estou curiosa para ver as escolhas dos outros membros do blog. 😀

    • 5, dezembro, 2011 em 22:55 | #6

      O Super Nes tem muitos RPGs icônicos, mas eu não cheguei a jogar muitos deles ainda nessa época. Como eu não queria escrever a milionésia análise de Super Mario World no mundo, preferi esse caráter mais crônico de escrita nos três textos, falando sobre situações reais que foram marcantes pra mim.

      Valeu Sora! ^^

      • 5, dezembro, 2011 em 23:57 | #7

        Eu gostei do jeito que o post foi escrito. Qual jogador dessa época não tem uma história com jogos? Era tão mágico conhecer um jogo novo ou encontrar alguma fita que estávamos procurando á anos. Eu ficava viajando só de ver as revistas de video game, só com as figuras e as descrições eu imaginava o jogo quase todo, rsrs… Claro que o jogo nunca era como eu imaginava, mas eles nunca me decepcionavam, eram tão divertidos que eu logo esquecia do jogo "imaginário" e começava a viajar no jogo, imaginar atalhos, formas diferentes de cumprir as missões, lugares secretos, etc. Inclusive, foi esse meu interesse por segredos de jogos que me trouxe até o Passagem Secreta, ^_^

        • 6, dezembro, 2011 em 22:25 | #8

          É engraçado como imaginamos um jogo ainda não lançado e a decepção ou não que isso causa lá na frente.

          Também tenho uma ligeira queda por jogar de maneira diferente do comum, uma espécie de "conquista" imaginária.

  3. Felipe Silva
    5, dezembro, 2011 em 20:57 | #9

    Parabéns pelo Post, são jogos icônicos que mudaram o mundo dos games. Estou ansioso para ver os outros posts 🙂

    • 5, dezembro, 2011 em 22:57 | #10

      Alguns membros jogaram mais o Super Nintendo, outros menos, e há as diferenças de gosto de determinados games. Vamos ver no que vai dar isso.

  4. Eduardo Casola Filho
    5, dezembro, 2011 em 21:43 | #11

    Sem dúvida foram três jogos que mudaram a história dos games mundialmente!

    • 5, dezembro, 2011 em 23:00 | #12

      Dos três o que mais joguei de longe foi o SMW. Esse jogo futuramente aparecerá bastante aqui no Passagem Secreta, tem muita coisa ainda a ser revelada mesmo 20 anos depois.

      Algo como um Deja-vu de Sonic 1. 😛

  5. 6, dezembro, 2011 em 23:42 | #13

    @mcs
    Cada membro vai fazer uma parte? Interessante, quero ver quais serão as próximas tríade de games que vão pintar.

    Agora a sua tríade eleita é de respeito. Adicionando Street Fighter II e Top Gear têm a lista dos mais conhecidos de SNES.

    • 7, dezembro, 2011 em 23:42 | #14

      É isso mesmo, Ighor. Irão sair umas duas matérias dessas por semana, todas neste mês de Dezembro.

      Quase que eu falo sobre Final Fight aí, tenho uma experiência bem legal com esse jogo numa locadora daqui, mas depois lembrei que joguei muito mais a versão de Arcade do que a de Snes e desisti.

  6. 9, dezembro, 2011 em 15:54 | #15

    Putzzzzzzzz… 20 anos de Super Nintendo? Eu tô ficando velho mesmo hahahahahaha
    Lembro até hoje quando eu era viciado em tentar virar o Mario Bros de qualquer jeito XD

    Quero acompanhar esse especial sobre o aniversário e ver em quais jogos vocês votaram… A matéria tá muito boaaaaa!

    • 9, dezembro, 2011 em 16:18 | #16

      Valeu Pantalona!

      O legal é conhecer a preferência de cada membro do site e o principal que é relembrar 15 dos melhores games desse que foi um dos maiores videogames da história, sem dúvida.

      Abraço!

  7. 31, agosto, 2014 em 10:05 | #17

    Cara, me faça um favor: Jamais deixe que este site saia do ar! Os meu olhos chegam a lacrimejar quando entro aqui, pois é muita lembrança boa. Sem contar também as sugestões que a gente tem de experimentar outros jogos por meio dos emuladores.
    Vocês estão de parabéns!!!!

    • 7, setembro, 2014 em 15:56 | #18

      Valeu Pablo!

      Pode deixar, se o site está no ar depois de todos os problemas que tive em 2012, não é qualquer coisa que irá nos derrubar.

      Continue nos visitando, abraço!

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