Fantasy Zone (Arcade) – 1986

Jogo – Fantasy Zone

Gênero – Shooter

Sistema – Arcade (System 16)

NOTA: Em alguns momentos, usarei o termo “Fantasy Zone”, sem tradução. Preferi deixar dessa forma, acho que vocês já sabem porque. Não é bom ter esse blog caindo na busca de “guia de motéis” e etc

“No ano espacial 1422, a Fantasy Zone entrou em pânico com o colapso de seu sistema financeiro interplanetário. O Conselho Espacial descobre e revala os planos do planeta Menon, cujas forças estão roubando os recursos monetários dos outros planetas para financiar a construção de uma fortaleza na Fantasy Zone. Opa-Opa é enviado para impedir o exército invasor e descobrir quem está por trás disso. No fim das contas, eis que surge a informação de que o líder desse exército é ninguém menos que o pai de Opa-Opa; uma revelação que deixa o herói com seus sentimentos desequilibrados”

"Opa-Opa, eu sou o seu pai!"

Com um enredo tão complexo, que lida com temas como desequilíbrio psicológico, conflito entre pai e filho, crise econômica e conspiração interplanetária, é certo dizer que a história por si só coloca o jogador na trama, que, ao ter conhecimento de tudo que cerca a história do jogo, tem como motivação tudo aquilo pelo qual o herói luta e tem como ideal. QUE NADA! Aposto que muita gente jogou o game e nem sabe dessa história. Afinal de contas, ao colocar a ficha e apertar start, aparece um texto bem rápido que ninguém se preocupa em ler, aonde está escrito apenas:

Há muito tempo, no espaço distante
existia uma Fantasy Zone, aonde
um herói corajoso chamado Opa-Opa (o jogador)
lutou numa causa nobre para resgatar
a “Fantasy Zone” de seus inimigos

Agora sim! Uma porrada na cara da geração atual de consoles, que precisa de cutscenes enormes para ilustrar qualquer besteira. Quando se está no controle da nave chamada Opa-Opa dentro daquele mundo rosado, o game finalmente começa. Vale citar também que essa é a mesma Fantasy Zone habitada por Harrier e seus amigos, de acordo com a própria Sega (e que fizemos recentemente um Especial sobre Space Harrier aqui e aqui)

Opa-opa tem livre mobilidade pelo cenário, diferentes de outros side scrolling shooters da época, em que o personagem tinha um caminho pré-determinado a seguir. Assim, o objetivo é procurar e destruir os geradores que existem no planeta, assim como os inimigos que vêm na direção do personagem. Cada um desses geradores, assim que destruído, deixa cair uma certa quantia em moedas de ouro – que valem mais do que dinheiro – que são utilizadas para a compra de novos equipamentos e upgrades para a sua nave, que incluem bombas especiais, vidas extras, turbo para a nave, etc.

Todos esses itens são adquiridos num shop que aparece como um balão n fase, em momentos que o jogador tem certa quantia de moedas estabelecida pelo jogo. Caso sejam comprados muitos itens de uma vez, um balão escrito “SEL” aparece permitindo com que, após o término da utilização de algum item, possa se escolher outro.

Se demorar muito na fase, o jogo simplesmente começa a descarregar hordas e mais hordas de inimigos em cima de você, até que morra ou destrua tudo. Após todos esses geradores destruídos, um chefe aparece para ser enfrentado. Apenas nessa parte que a jogabilidade torna-se mais tradicional, deixando Opa-Opa um pouco mais fixo para poder enfrentar o chefe.

Em aproximadamente 5 segundos dá para entender como tudo funciona. A jogabilidade é muito simples, possuindo apenas o direcional e dois botões – um de tiro normal e outro para atirar as bombas. A única reclamação fica para o controle da nave, que fica muito duro sem quaisquer upgrades;

porém, assim que colocado algum turbo, a dirigibilidade fica leve demais, gerando vários acidentes de percurso. A câmera também demora para acompanhar o personagem em certos momentos, dando como resultado o ataque surpresa de alguns inimigos.

Vale lembrar também que o jogo foi lançado para o Arcade, então espere por algo feito para massacrar, para destruir psicologicamente qualquer pobre jogador que ouse tentar chegar até o fim. Com Fantasy Zone, xinguei como não xingava fazia um bom tempo. Assim como o jogo vicia, ele quer algo de volta dos jogadores, requerendo todas as habilidades possíveis para algo tão difícil. Ainda mais sabendo da melhor: o jogo não tem continue. Isso mesmo, se acabar as cinco vidas o jogo recomeça. Legal, não é?

Falando na dificuldade do jogo, não tem como não falar nos chefes de fase. Todos são muito estranhos ao mesmo tempo que bonitos e malvados. Vale destacar a gangue de bonecos polares, que são um inferno na vida de qualquer um – até descobrir que depois de 60 segundos eles param de atirar – o girassol com pétalas orbitais (ou algo assim) e o próprio chefe final, que é uma versão maléfica do pai de Opa-opa. Apesar da dificuldade de alguns deles, cada um possui um ponto fraco contra uma arma específica, obrigando o jogador a adotar estratégias, ao invés de simplesmente descarregar até a mãe para matá-los.

Todo o game tem um design rosado, bonitinho e fofinho. Opa-opa não morre, vira purpurina espacial. Alguns até ousaram, na época do lançamento do jogo, categorizá-lo como um Cute´em Up, justamente por esse aspecto infantil e alegre, que os japoneses adoram e que nós, ocidentais, torcemos o nariz à primeira vista. Os gráficos são bem simples, sem nenhum dos efeitos e artimanhas tecnológicas pelas quais a Sega estava se tornando conhecida na época. Usando a mediana placa System 16 – que também abrigou jogos como Altered Beast, Quartet, Golden Axe, entre outros – os gráficos são medianos mas ainda assim são muito bonitos, sendo que o próprio design do jogo ajuda em muito nisso, com todas aquelas cores extremamente saturadas.

Acompanhando os gráficos, temos a música, igualmente alegre. Composta pelo já conhecido Hiro – para quem chegou agora, foi o principal compositor da Sega em sua fase de ouro, produzindo temas como os de Hang On, After Burner, Space Harrier… – a trilha sonora soa como influenciada por alguns gêneros latinos, como salsa e samba, com um leve toque de jazz, o que gera algo super agradável de se ouvir. Apesar da placa de arcade do jogo contar apenas com sintetizadores FM (diferente da maioria dos jogos da Sega, que tinha som PCM, de maior qualidade), os arranjos são variados e muito eficientes, principalmente o baixo das músicas, que fica mais perceptível no Boss Theme. É praticamente impossível não murmurar os temas enquanto joga, porque todas as músicas do jogo são curtas, mas ficam com aquela melodia na cabeça – Hiro tinha um talento nato para fazer isso com as pessoas. Assim como aconteceu com After Burner, a música referente à quinta fase não foi completada a tempo de lançamento do jogo, mas ainda assim estava presente no game – sem a melodia principal. As revisões posteriores da máquina possuem a música na íntegra. O interessante é que, assim que uma música nova toca no jogo, o nome dela aparece na parte debaixo da tela. Para uma época em que a Game Music estava surgindo, reconhecer a música que está sendo tocada no jogo é algo inusitado.

A trilha sonora do jogo possui várias faixas memoráveis, das quais vale citar o tema da primeira fase – que é o tema do Opa-Opa, e o tema do chefe final, chamado Ya-Da-Yo. Ambas as faixas possuem versões interpretadas com vocal que, de certa forma, soaram meio bizarro.

No álbum chamado Fantasy Zone – Ultra Super Big Maximum Great Strong Complete Album, lançado pela Wavemaster em 2008, estão disponíveis algumas outras versões do tema, como uma com arranjos aparentemente demonstrativos, a versão presente no Medley feito pela banda [H.] (que pretendo postar depois), o remix para o jogo de Blackjack da Sega, e uma versão totalmente inusitada, cantada por uma torcida, retirada do jogo Virtual Striker 4.

Recentemente, Hiro rearranjou alguns de seus temas clássicos para o jogo Bayonetta. Um desses temas é o Boss Theme, do jogo original. Confira

Fantasy Zone é um clássico que deve ser jogado por qualquer retrogamer. Seus gráficos e som são únicos, e o personagem principal é igualmente carismático – Opa-opa chegou até a ser mascote da Sega por um tempo, antes de ser desbancado por Alex Kidd. O jogo é viciante, com uma dificuldade que faz o jogador sempre retornar para mais, ao invés de frustrá-lo. Surgindo como mais um para consolidar a era de ouro da Sega, é uma pena que não rendeu durante muito tempo, o que pode ser justificado pelo fato do gênero ter se tornado um pouco saturado no início dos anos 90.

Na Segunda Parte do especial sobre Fantasy Zone, veja o review de Fantasy Zone II DX – uma continuação exclusiva para os arcades, feita mais de 20 anos após o lançamento do jogo original!

  1. 5, janeiro, 2010 em 16:42 | #1

    Joguei os FZ no Master System e no Megadrive!! Não terminei nenhum deles óò

    E o Opa-Opa era famozão na época XD até participou do anime Zillion (que eu tenho hehehe), aquele que passou por aqui na Globo e Manchete e foi feito pela TATSUNOKO a mando da SEGA para promover as pistolas do master System, mas acabou fazendo mais sucesso que a pistola e terminou por originar assim um brinquedo de tiro maneiríssimo!

    • 00Agent
      6, janeiro, 2010 em 18:11 | #2

      Não sabia que o anime Zillion foi feito com essa intenção, e nem sabia que tinha passado aqui! Vivendo e aprendendo!

  2. 3, fevereiro, 2010 em 15:03 | #3

    Fantasy Zone está lá junto com Ecco the Dolphin na lista de jogos com histórias bizarras e completamente inusitadas. "Fantasy Zone II – Tears of Opa Opa" ainda conta com a temática de dupla personalidade.

    Outra coisa interessante é o não lançado "Space Fantasy Zone", põe o Opa-Opa em uma jogabilidade tipo Space Harrier, com direito a mash-ups das músicas dos dois jogos.

    • 00Agent
      5, fevereiro, 2010 em 17:44 | #4

      É, eu ia escrever sobre ambos os games, mas agora você já falou do Space Fantasy Zone e estragou a surpresa toda… Brincadeira! rsrsrs

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