Night Trap

 

Produção

Inicialmente, o projeto foi designado pela Hasbro para um protótipo de console chamado NEMO, que era baseado em fitas VHS que possuíam várias pistas de gravação e reprodução. Filmado em 1987, o jogo nunca foi lançado, já que o console nunca chegou às lojas. Todas as filmagens foram arquivadas, até que, no início dos anos 90, a Sega lançou um add-on para o seu console de 16-bit, que permitia ler mídias óticas, com muito mais capacidade de armazenamento que os cartuchos convencionais. O CEO da Digital Pictures, Tom Zito, viu no acessório sua mina de ouro, já que finalmente poderia ter vídeo digital em “alta” qualidade de forma acessível às massas para ser manipulado, jogado, consultado, etc. – vale lembrar que jogos em FMV eram raros; Dragon´s Lair, lançado em 1983 nos arcades, por exemplo, tinha como mídia o LaserDisc, cujo player tinha um tempo máximo de utilização. Assim, iniciaram-se os projetos para vários jogos baseados em FMV, começando com Night Trap.

Anunciado como “o game de Hollywood”, os custos de produção totalizaram-se em 1.5 milhão de dólares, um absurdo para a época. Apesar da revolução que causou, é muito difícil dizer que todo esse valor tenha retornado para a empresa, que deixou de fazer filmes e, hoje em dia, trabalha apenas com pós-produção.

História

“Meu nome é Simms, Comandante do esquadrão SCAT. Missão nº 130. Cinco adolescentes estão  indo passar o fim de semana numa casa onde reside o Senhor Victor Martin; a senhora Sheila Martin; e seus dois filhos Jeff e Sarah. Sua missão: proteger essas meninas do que quer tenha acontecido com o grupo de garotas anterior; elas desapareceram após passar uma noite na casa dos Martin! Na noite passada, um de nossos agentes conseguiu entrar na casa. Ele encontrou um estranho sistema de segurança… Câmeras escondidas estão espalhadas por todos os cômodos da casa, e há também uma série de armadilhas. Nosso agente conseguiu infiltrar-se neste sistema, permitindo que você controle essas câmeras e as armadilhas; porém, o sistema só poderá ser ativado com o código de acesso correto. Nesse momento, o código é de cor Azul, e você está no controle das armadilhas. Mas qualquer um dentro da casa pode mudar esse código, a qualquer momento, então fique atento.

Temos um esquadrão de prontidão, e essa é a Kelly, uma de nossas melhores agentes secretas.


Ela está junto com as outras garotas. Estou colocando a vida delas em suas mãos; nem pense em fazer besteira. Se você não é esperto ou corajoso o suficiente para esta missão, dê o controle a alguém que seja. As garotas devem aparecer a qualquer momento no quintal”

Depois desse briefing como introdução do game, dá até aquele frio na barriga; realmente, a pressão deve ser muito grande numa situação dessas. E o Comandante é bem impaciente: se demorar muito a apertar o Start, ele lhe desconecta e é Game Over logo no início. Caso contrário,  começa o jogo. A família Martin conversa sobre os preparativos para receber as garotas, assim como Victor e Sheila dizem que precisam sair por uns instantes, para fazer uma entrega aos Augers. Mas, quem são eles? Também apelidado de Augs, são as vítimas de vampiros que são deixadas à beira da morte; ou seja, criaturas fracas cujo nível de sangue no corpo é suficiente apenas para sobreviver, sem poder se tornar um vampiro.  Assim, esses “monstros” vagam procurando por sangue, esperando que um dia saiam dessa condição. Os Martin fazem um trabalho de caridade, dando a eles o que precisam: sangue das vítimas que vão visitar-lhes.

O plano era de utilizar as armadilhas da casa para pegar as garotas, drenar seu sangue, e levar aos Augers. Mas, as coisas começam a dar errado quando eles, famintos, começam a invadir a residência dos Martin à procura de vítimas. E é aí que entra o jogador: as armadilhas agora são utilizadas para capturá-los, ao invés de usarem nas meninas.

Jogabilidade

Como um bom jogo baseado em filme, não há quase alguma. Existem seis cômodos da casa sendo vigiados. Em cada um deles, ocasionalmente (ou em horas demarcadas, caso queira entender assim) alguns Augers aparecem. Assim que a barra de captura atingir o nível máximo, basta apenas apertar o B, que a armadilha será ativada, e o Aug será capturado. Caso deixe passar algum deles, ele irá para a lista de “possíveis”, e um efeito sonoro irritante será tocado. Em certos momentos, os moradores da casa mudam a cor do código de acesso. Então, é preciso ficar atento também em quando e para qual cor eles será modificada, bastando apertar o A para se adaptar às novas condições de segurança da casa. Caso há muitos Augs não capturados, o Comandante Simms aparece, lhe chama de irresponsável, e é desconectado do jogo, tendo que começar novamente.

Eis que surge o GRANDE problema de Night Trap: NÃO DÁ PRA ACOMPANHAR AS CENAS, PORQUE O JOGADOR TEM QUE CAPTURAR OS AUGS! Isso fica muito perceptível na cena principal do jogo, quando as garotas cantam e dançam o tema do filme; enquanto você assiste aquilo, embasbacado com a cafonice que só os anos 80 podem proporcionar, há vários Augs sendo perdidos! Os produtores poderiam solucionar isso simplesmente tirando um pouco da simultaneidade dos acontecimentos, mas eles devem ter feito isso de forma com que o game durasse mais – já que isso induz a menos Augs capturados, e mais “Game Overs”. No fim das contas, acabou virando um tiro no pé; aposto que muita gente que comprou o jogo na época só pôde ver várias cenas na íntegra quando alguém editou tudo e postou no Youtube.

Vale lembrar que o sistema de armadilhas na casa não serve para o jogador pegar apenas os Augers, não: o jogo lhe dá a opção de fazer algumas gracinhas, como capturar as meninas, outros personagens e, em um dos melhores finais alternativos da história dos games, a própria protagonista! É mais compensador até que o melhor final que se pode ter.

E, como jogo, Night Trap é um péssimo filme. Em alguns lançamentos do jogo, o texto da embalagem anunciava como uma paródia do gênero de filme dos anos 80 apelidado como  “garotas em apuros”. E é mais ou menos isso; o nível de atuação é péssimo, há poucos atores de verdade no elenco – digo, pessoas que tiveram uma carreira artística depois de ter trabalhado no jogo  – a música é cafona, os efeitos especiais são horrendos, e as cenas de ação são mal coreografadas; no fim das contas, é tão ruim que chega a ser bom. É difícil assumir que toda a breguice das cenas me deixou feliz – e achar as meninas carismáticas e bonitas. Dá até vontade de sair andando na rua igual aos Augs… Mentira.

Falando nas meninas, o elenco é estrelado por Dana Plato, que ficou famosa no final dos anos 70 com o seriado Arnold, que passa atualmente no SBT. Infelizmente, após o seriado, a atriz nunca mais decolou na carreira – até falecer em 1998.

Noooooofffa miiiga!

 

Gráficos

Sega CD

O jogo tem várias revisões para alguns consoles, com alterações de qualidade no vídeo.  Apesar de ser um dos primeiros em trazer vídeo digital para um console, Night Trap teve uma série de limitações técnicas; começando pelo próprio algoritmo de compressão de vídeo utilizado. Na época, não existiam codecs como Mpeg, Divx, Xvid, etc, e os codecs existentes exigiam um poder de processamento que os consoles e computadores da época estariam longe de alcançar. Além disso, a leitura de disco do Sega CD era em 1x, limitando o tráfego de dados entre o leitor de disco e o buffer de memória. Em resumo, devido a tudo isso, a versão para Sega CD contava com o vídeo ocupando apenas um quarto da tela, com 64 cores simultâneas a 15 frames por segundo. Impressionava por pouco tempo, e logo se tinha a impressão de que não era grande coisa assim.

 

Em 1994, o jogo foi relançado para o outro add-on da Sega: o 32X. Agora, a tela era maior, com direito a 16.000 cores, e uma interface de jogo mais moderna. A definição de imagem ainda deixava a desejar; além disso, o game requeria o

Sega-CD e o 32X ao mesmo tempo… Quem tem isso?

No mesmo ano, a versão com melhor imagem até hoje foi lançada para o 3DO. A definição de imagem é bem

maior comparada à do 32X, com imagens mais nítidas e com um contraste melhor.  De todas, é a que ganha disparado em qualidade de imagem, apesar de ainda não ser muito – comparando com a qualidade de imagem de um VHS, por exemplo.

No ano seguinte, foi lançada uma versão para PCs, anunciada como Director´s Cut. No entanto, nenhuma filmagem foi modificada ou adicionada, comparando com as versões anteriores. A resolução é maior, mas o número de cores é reduzido comparado ao 3DO. Em compensação, foram adicionados dois botões úteis para pausar ou salvar o jogo.

Há um rumor de que, em 1997, houve um relançamento da Activision (que havia adquirido o catálogo de jogos da igital Pictures) com qualidade semelhante a de um DVD. Porém, a tiragem foi  limitadíssima, logo as chances são muito pequenas de se adquirir esta versão. Além disso, ninguém confirmou esse rumor.

O que faz falta mesmo é um lançamento em DVD, que faça jus à toda a glória das filmagens originais, como aconteceu com outros jogos em FMV como Dragon´s Lair e Mad Dog´s McCree. Mas, pelo que afirmou Tom Zito, não se sabe a quem pertence os direitos de cópia de Night Trap.

Som

Independente do lançamento, a qualidade sonora é um pouco precária: o áudio, além de mono, é um pouco distorcido, gerando certa dificuldade em compreender os diálogos, cujo nível de atuação bate de frente com o do primeiro Resident Evil. Vale destacar a trilha sonora, igualmente cafona, com músicas de suspense, de ação… Mais o maior destaque fica para a música-tema de Night Trap, que toca na infame cena da sala de estar, e nos créditos finais em uma versão estendida. Com um arranjo jazzístico sintetizado espetacular e uma letra magnífica – que fala sobre o amor entre meninos e meninas  – a canção só nos faz pensar em como as Paquitas lidariam com uma situação como essa. Fica aí a dica.

Love is easy by the light of day
You get the  boys to play away
Thoughts are down when darkness falls
Passion  burns and danger calls
So don't go out if you dare
You better be  good
You better beware
NIGHT TRAP!
That boy will find you
NIGHT  TRAP!
Watch out behind you
NIGHT TRAP!
Girls if you driving a  ride
You'll be caught in the night

 

Conclusão

Jogar Night Trap atualmente é uma experiência única…  A cafonice dos anos 90 reproduzida aqui pode tanto atrair, quanto afastar os jogadores, pois é a única coisa que se pode encontrar aqui. Como dito anteriormente, o game é um filme B para (tentar) assistir. Falhando tanto no aspecto de entreter como jogo e filme, a produção é considerada como um dos piores jogos de videogame de todos os tempos, da qual não discordo, mas também não iria tão longe.

  1. 7, abril, 2010 em 22:12 | #1

    Nunca paprei pra jogar.. mas curtia muito essa idéia dos jogos serem como os filmes. Hpje é tudo tão artificial, CGs e mais CGs.. o caminho dos games sempre foi se aproximar e superar o cinema.

  2. Adinan
    8, abril, 2010 em 07:40 | #2

    Só vi um pequeno review desse jogo, mas parece interessante e bem tosco. Vou ver se baixo só pra ver como é.

    Ah, e o final alternativo capturando a agente é mto loco rsrsrsrs

    • Fan de Night Trap
      3, maio, 2015 em 10:51 | #3

      a camera da armadilha da agente Kelly é a camera hall 2

  3. 10, abril, 2010 em 10:05 | #4

    Muito bom review! Eu nunca joguei Night Trap, mas sempre o achei interessante pela suas pecularidades.

    O engraçado é que pra quem nunca jogou o game fica pensando que a história é sobre assassinatos ou invasão domiciliar associados a ladrões ou coisa do tipo; mas uns "quase" vampiros? o.o

    Sobre a Nintendo, ela deu um tiro no próprio pé de toda a indústria de games com essa decisão egoísta, já que a partir daí houve uma caça às bruxas aos games violentos que começou nos EUA e hoje já se espalhou no mundo todo.

  4. 8, junho, 2011 em 20:10 | #5

    Uma coisa não dá pra negar: o refrão da musiquinha dá uma grudadinha básica. Acho que vou extrair a MP3 desse vídeo, se você tiver a OST aí eu quero viu.

    Valeu, vou pra parte 2.

  5. 8, junho, 2011 em 21:15 | #6

    @Cosmonal

    Haha, não existe OST, mas na minha pasta lá no 4shared, tem o tema. Lembro que havia upado para tentar convencer a Bomber Bárbara a cantar essa música ao vivo, pena que ela nunca a fez =/

    Agora, a parte 2 não saiu ainda… Um dia sai, acho!

  6. Fan de Night Trap
    3, maio, 2015 em 10:49 | #7

    Oi genteeee,o final alternativo é quando vc captura Kelly com a armadilha usada pra capturar Sarah

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