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Maratona Passagem Secreta Game Movies – Mortal Kombat (1995)

Depois de assistir um filme em que tudo deu errado como Super Mario Bros., ter perdido pelo menos uns 5 pontos de Q. I. assistindo Double Dragon e quase ser transformado em algo pior que o pobre Carlos Blanka ao assistir Street Fighter: A última batalha, não haveria nada mais lógico do que afirmar que “filmes de games nunca darão certo”. Mas uma pequena reviravolta aconteceu.

Que rufem os tambores, pois um filme de um jogo de luta serviu pra dizer ao mundo: “Yes, we can!”. Sim, um bom filme baseado em games é possível! E ao contrário dos outros, Mortal Kombat tinha muita coisa pra dar errado e mesmo assim deu certo! Veja a luz, irmão, e acompanhe com a gente mais um review da nossa maratona, pois esse vale muito a pena!

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Campanha viral

A luta para a produzir um filme de MK (tu-dum-tsss!) começou desde os arcades. Na época, os joquéis de fliperama dividiam suas atenções entre uma certa “Champion Edition” e a sangueira, ganchos e fatalities de MK. O anúncio do filme de SF causou uma hype enorme, considerando uma época sem as facilidades de internet para spam divulgação, mas tão logo o filme foi lançado, veio um verdadeiro “fatality” de crítica e público em cima do filme, elevado sem escalas ao patamar de trash com pouquíssimo tempo de exibição.

Esse cartaz é sinônimo de “Goro vem aí”?

Não sei dizer se foi algo de caso pensado ou foi simplesmente cagada, mas naquele mesmo ano de 1994 as publicações de games e cinema começaram a divulgar a produção de Mortal Kombat, que começou quase paralela à de SF e que prometia o lançamento em 1995. Mais uma vez, mesmo sem o recurso da internet, começou a expectativa em cima. Mas pelo jeito os marketeiros de MK foram mais espertos que os da turma do hadouken. Muito antes que esse conceito existisse, o filme teve uma das primeiras “campanhas virais” do cinema. Para quem não sabe o que é isso, “Marketing Viral” é quando são usadas mídias de diversos tipos associadas a um único produto para fazer com que um consumidor mais susceptível que acesse qualquer formato dessas mídias passe adiante a informação e aumente a expectativa em cima do mesmo (ainda que esse produto não seja lá essas coisas, mas esse não é nosso assunto). Hoje em dia esse termo é associado diretamente à capacidade difusora da internet, mas em 1994/95 era muito, muito mais difícil.

Mas não impossível! Se atendo apenas ao Brasil, absolutamente todas as revistas de games divulgavam o filme, não apenas com artigos, mas com encartes especiais, posteres e fitas VHS que traziam o trailer e o making-off, que muito colega meu comprou achando que era o filme e quebraram a cara. Outras publicações traziam ainda o curta “MK Animation” (“Mortal Kombat Animação”, por aqui), um desenho animado com trechos de animações feitas em CG até muito boas para a época (hoje são risíveis), que contava uma prévia da história do filme e algumas coisas que não apareceriam nele ou que seriam apenas mencionadas, como a origem da rivalidade entre Scorpion e Sub-Zero, a ascenção de Goro a príncipe de Shokan e a derrota do primeiro Kung Lao, ancestral de Liu Kang.

Capa do Desenho MK Animation

Mas tem mais! Pouco antes do lançamento, começou a se divulgar a música-tema do filme nas danceterias (na época não se falava “balada”), que bombou geral. Era um bate-estaca feito com as falas do jogo, como “Excellent!”, “Test you might!”, além do nome dos personagens. Alguns amigos meus que detestavam videogame mas curtiam ir para as pistas dançar, ao irem na minha casa ficaram de queixo no chão ao descobrirem que o hit do momento que eles curtiam nada mais era que um remix da trilha sonora de um videogame que eu, o “nerd sem vida social”, estava jogando. A tal música-tema era um remix de um remix (!) que já existia no jogo Mortal Kombat para Sega CD, feito por George S. Clinton, que após acrescentar seus efeitos e samples, batizou-a de A Taste of Things To Come. Se alguém quiser saber mais sobre essa trilha, o Mestre Cronos, do nosso parceiro The 4 on, conta um pouco sobre a versão original do Sega CD  nesse artigo aqui. Ataca na sanfona pra mostrar como é o tema, Scorpion!

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Torci o nariz pro Raiden Highlander. “Aposto que esse cara nem luta!”. E graças a Deus, paguei língua!

E como cereja do bolo marketeiro, mais uma ajuda imprevista mas muito bem-vinda foi o jogo Mortal Kombat II, que, embora tenha sido lançado no final de 1993, chegou em alguns países como o Brasil em meados de 1994,  juntinho com o filme de Street Fighter. O acréscimo de novos fatalities e de babalities e friendships, além de novos stage fatalities e a possibilidade de jogar com o feiticeiro “camaleão” Shang Tsung roubaram muito dos holofotes que estavam sobre o jogo Super Street Fighter II e o filme deste game, efeito que ainda  foi maximizado quando as críticas negativas do filme de SF foram pipocando em todo panfletário de entretenimento. E a expectativa de ver os novos personagens no filme de MK  aumentou vertiginosamente.

Como se pode ver, o pessoal do marketing fez o dever de casa direitinho, além de contar com a sorte, que lhes foi bastante favorável. Mas nada disso faria sentido se o filme não se garantisse sozinho…

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Será que essa m**da vai dar certo?

Liu Kang (Robin Shou) e sua cabeleira bufante

Essa era a pergunta que eu e meus amigos gamers fazíamos a cada notícia que líamos sobre o filme. O trauma de ter assistido Street Fighter ainda assombrava nossos piores pesadelos e considerávamos seriamente esperar Mortal Kombat sair na locadora. E as notícias não pareciam nada boas.

À exceção de Mario, as adaptações de games estavam seguindo mais para a vertente do jogos de luta, pois embora com bastante personagens, são jogos geralmente voltados para a ação, o que não exigiria um roteiro tão denso e um aprofundamento tão intenso dos personagens. O problema é que, tanto em Double Dragon quanto em Street Fighter, o roteiro era nada menos que absurdamente RALO e os personagens eram clichês superficiais! As livre adaptações também ficaram fora de controle, a ponto de, no fim das contas, bandido virar herói, herói virar bandido, os personagens principais serem relegados a uma sub-trama sem sentido e a trama original do jogo não servir nem de pano de fundo.

Talisa Soto, a Kitana. Se ela é boa atriz eu não sei, mas sem dúvida é uma atriz muito boa!

Os sinais indicavam que MK corria esse mesmo risco. O diretor era um certo Paul W. S. Anderson, pouco conhecido até então. Mais obscuro ainda era Kevin Droney, um roteirista sem nenhum trabalho significativo. Isso não era um bom sinal, pois como dar credibilidade à produção num caso desses?

Para complicar, MK não tinha um elenco muito estrelado e, mesmo com algumas caras familiares, boa parte dos personagens principais eram desconhecidos. Admito que, na época, torci o nariz para as escolhas, pois na minha cabeça de adolescente, que acha que sabe das coisas, deveriam usar os próprios atores que interpretaram os personagens no jogo, como os irmãos Daniel e Carlos Pesina (Sub-Zero, Scorpion, Reptile, Johnny Cage e Raiden, respectivamente), Ho Sung Pak (Liu Kang, Shang Tsung), Richard Divizio (Kano) e Elizabeth Maleki (Sonya). Óbvio que jamais daria certo, pois além de ter personagens que são interpretados pela mesma pessoa, nenhum dos caras era ator, com exceção do Ho Sung Pak, que pelo jeito deve ser péssimo, uma vez que nunca nem se ouve mencionar os poucos filmes dele.

Shang Tsung (Cary-Hiroyuki Tagawa): “Você é o próximo, mané!”

Como personagem principal, Liu Kang, o ator escolhido foi Robin Shou, artista marcial ainda iniciante no cinema e que trazia de brinde suas madeixas bufantes, fato que já serviu pra deixar muita gente de cabelo em pé (desculpa, gente, vou parar com esses trocadilhos infames…). Outro desconhecido era Linden Ashby no papel de Johnny Cage, pois a escolha principal e óbvia para o papel, um tal Jean-Claude Van Damme, cagou para a produção e preferiu bancar o herói fodão no filme da concorrência só pra não ser personagem secundário. Bridgette Wilson, miss Teen USA 1990 e atriz também iniciante que fez uma ponta no filme “O Último Grande Herói”, do brucutu Arnold Schwarzenegger, seria a agente Sonya Blade. E um tal Trevor Goddard, ator inglês e um dos mais desconhecidos do elenco principal, encarnaria o mercenário Kano.

Linden Ashby (Johnny Cage), o “bucha” que sua família merece

Mas nem só de gente desconhecida se fez o elenco. Algumas caras mais conhecidas dos cinéfilos apareceram por aqui. Como princesa Kitana, a deusa Talisa Soto, que fez a Bond Girl Lupe Lamora em “007  – Permissão para Matar” e deu sentido ao título “princesa” de Kitana. Para o feiticeiro Shang Tsung, convocaram Cary-Hiroyuki Tagawa, figurinha carimbada em filmes que precisavam de um asiático malvado que desse porrada em qualquer um, de forma que o papel lhe caiu feito uma luva. Embora ele tenha uma extensa filmografia, de filmes cult a porradeiros, um dos mais marcantes para mim foi Massacre no Bairro Japonês onde ele é, adivinhe, o chefão asiático mafioso e malvado que dá porrada em qualquer um, além de aparecer como vilão no mesmo filme do 007 que Talisa.

Sonya (Bridgette Wilson) é bonitinha, mas não fede nem cheira

E, com folga, o nome mais conhecido era Christopher Lambert, o Highlander “mothafocka”, que aqui faz o papel de outro imortal, Raiden. Lambert foi quem mais detestei ver no elenco na ocasião, até porque na época de lançamento do filme eu só jogava com o Raiden e queria ver ele enfiando porrada em todo mundo e explodindo cabeças com seus raios, e  na minha rasa avaliação Lambert era bom só na espada e olhe lá. Eu esperava um asiático, algo mais paracidos com os tempestosos do filme Os Aventureiros do Bairro Proibido, que foram a óbvia inspiração dos criadores do personagem. “Garanto que esse cara nem vai lutar”, comentei, sem saber que estava certo… e sem imaginar que isso seria ótimo! O tira-teima foi na sala de cinema, e tive que dar o braço a torcer.

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Graças aos Elder Gods, temos um bom roteiro!

Kano (Trevor Goddard), bem caracerizado mas também desperdiçado pelo roteiro

A história começa com o irmão de Liu Kang, Chan, sendo derrotado em confronto com Shang Tsung, que não apenas o subjuga, mas toma sua alma e o mata. Liu havia deixado o templo shaolin, onde era treinado desde criança para ser o representante da sua ordem num torneio milenar, pois começou a achar tudo aquilo sem sentido e decidiu ir para os EUA tentar melhor sorte. Para ele, sua desistência é o que levou seu irmão à morte nas mãos de Shang Tsung e agora ele decide que participará do torneio, porém pelo errado motivo de vingança.

Entrementes, o astro de Hollywood Johnny Cage passa por uma crise de popularidade. A imprensa sensacionalista insiste que seus filmes de luta só podem ser falsos, pois ninguém lutaria com tanta perfeição, por isso começam a tratá-lo como uma fraude. Numa pausa nas gravações de seu novo filme, Cage se encontra com mestre Boyd, seu treinador, que lhe apresenta um certo torneio milenar, onde a vitória provaria de uma vez por todas que ele não era uma fraude. Após lhe entregar o convite, Boyd sai do local e revela que se trata, na verdade, de Shang Tsung.

O Goro bonecão. “Não é a mamãe!”

Paralelo a isso, a agente Sonya Blade está à caça do mercenário Kano, que assassinou seu parceiro a sangue frio numa emboscada.  Ela e o major Jax chegam ao esconderijo do bandido, mas quando chegam ele já se foi. Sonya não sabe, mas Shang Tsung contratou Kano para atraí-la para o torneio.

Os três lutadores, sem saber que são na verdade representantes da Terra no torneio Mortal Kombat,  junto com os outros passaeiros que embarcam num sinistro navio. A nau segue para o local onde o tal torneio acontecerá.

Vejam vocês que a premissa não é nada mal, pois conseguiu costurar bem a forma como cada personagem é inserido sem parecer absurdo ou deslocado. Mesmo com muitos personagens, não tem ninguém caindo de pára-quedas na história ou simplesmente ganhando o nome de um personagem como acontece em Double Dragon e SF. A inserção de outros personagens que não poderiam faltar vem logo em seguida: Shang Tsung apresenta Scorpion e Sub-Zero aos lutadores da Terra, dizendo que normalmente os dois são inimigos mortais, mas que estão a seu serviço por estarem sob seu poder. Eu não pude conter um “p*ta me**da!” no cinema quando vi o arpão saindo da mão do Scorpion! Foi nessa hora que comecei a botar muita fé no filme.

Liu Kang luta com… bem, esse cara

Nesse ponto, Raiden interfere para evitar o confronto e coloca os três guerreiros, ainda céticos, a par dos acontecimentos e do que pode acontecer se perderem, pois mais uma derrota e a Terra será anexada aos domínios do Imperador do mundo de Outworld. Em dado momento, o navio é transportado para um tipo de dimensão paralela e atraca numa ilha. Os competidores desembarcam e, após algumas formalidades, são apresentados ao que lhes espera, com uma demonstração do poder de Sub-Zero (com direito a Fatality). Liu Kang nota a presença de mais uma guerreira, a princesa Kitana (“princesa” pra mais de metro! Fiu-fiu, Talisa Soto…), que, segundo Raiden, será vital na campanha contra os guerreiros de Shang Tsung, que, a par disto, coloca seu lacaio espião Reptile no encalço da princesa. Somos apresentados também a Goro, príncipe do reino de Shokan e capanga de Shang Tsung, que em algum momento vai entrar no torneio.

Sonya vs Kano. Não se iluda, a faca é só ameaça

Raiden dá mais umas dicas e, depois dessas formalidades, começa a porrada. De primeiro, coisa leve, com Liu Kang vencendo um coadjuvante, só pra mostrar o poder de sugar almas de Shang Tsung. Sonya consegue o que quer e enfrenta Kano logo na primeira luta, da qual esperava algo mais, pois foi uma lutinha meia-boca, sem um confronto decente e com um final já esperado.

Logo em seguida, contudo, vem a luta mais fodástica de todos os fimes de luta produzidos até hoje: Johnny Cage vs Scorpion! O cenário da luta inicial, uma floresta, é plasticamente perfeito e só faltaram as caras nas árvores para ser a Living Forest de MK II. Com menos de 1 minuto de porrada, vemos o jogo virando filme na nossa cara: Scorpion tentando arpoar Cage [ COME HEREEEE!], Cage dando um Shadow Kick em Scorpion, o ninja usando seu poder de teleporte e até um cenário que só viria a entrar para a série tempos depois, o Netherrealm, a casa do Scorpion. Na sequencia, saltos mortais, combos de porrada e Scorpion tentando fatalizar Cage, que retribui mandando o espectro ninja pro inferno, de quebra com direito a Friendship no final! Foda demais pracomentar mais alguma coisa e já vale o filme inteiro. Produtores filme de jogos de luta deveriam ser obrigados a assistir essa cena antes de pensar em fazer uma película com essa temática! E pensar que Van Damme trocou esse papel pra ser o Guile. Uma pausa, por favor…

[HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, gostou dessa, mané? CHUUUUPA, JOÃO CLÁUDIO!] *Desculpem-me eu precisava fazer isso. De volta ao assunto:

A luta Cage vs Scorpion é, com folga, a melhor já feita em um filme baseado num jogo de luta

Sub-Zero vs Liu Kang. Foi mal, herói, mas era pro ninja ter ganhado!

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Em seguida Liu Kang confronta Sub-Zero e vence por pouco, com algumas dicas de Kitana, numa luta que, embora com uma ação muito bacana, tem um final meio covarde e criticado bastante pelos fãs, afinal Sub-Zero é um ninja muito fodão pra ser derrotado por um reles balde d’água! Vendo que começou a perder,Tsung insere Goro no torneio, que começa a derrotar um a um dos lutadores da Terra. Cage, pensando em proteger Liu Kang e, especialmente, Sonya, desafia Goro e mais uma vez mostra ser o personagem mais bem adaptado do filme, dando um ball breaker no monstro e jogando-o num precipício logo em seguida. No desespero, Shang Tsung sequestra Sonya para o castelo do Imperador e pretende desafiá-la na intenção de que ela se negue, pois ela não sabe que se fizer isso a Terra será declarada derrotada. Raiden diz a Liu e Cage que eles precisam ir sozinhos, pois é impedido de acessar esta região do Outworld.

Reptile é absurdamente rápido. Mas em MK I também não é assim?

Assim que passam o portal, os dois se vêem diante de uma terra devastada cheia de seres estranhos, entre eles um invisível, que Liu Kang consegue pegar, o espião Reptile. Jogado ao chão, Reptile se funde a uma estátua sinistra e se tranforma no ninja Reptile, que já levanta metendo voadora no peito do Liu Kang, em outra sequência simplesmente perfeita. Em MK I, Reptile é um personagem extremamente rápido em comparação com os outros e aqui ele não está diferente, a luta é de arrepiar, com porrada o tempo todo e Liu Kang passando um baita perrengue pra vencer o lagarto, usando alguns golpes que também vemos no jogo. Assim que mata Reptile, Kitana aparece e guia os dois para o castelo, onde Sonya está presa. Tsung é surpreendido com a chegada dos três e tenta desafiar Johnny Cage, mas Liu Kang ganha o direito de enfrentá-lo por ter chegado ali.

Alguém reparou nos espetos da “The Pit” lá embaixo e já calculou em que essa treta vai terminar?

A luta final entre Liu Kang e Shang Tsung remete diretamente ao esquema de jogo de MK I, uma vez que Liu Kang tem que enfrentar, nessa ordem: 1) Enfrente seu inimigo (diversos guerreiros que tiveram as almas tomadas por Shang Tsung, assim como nos Endurances você enfrenta mais de um inimigo de uma vez); 2) Enfrente a si mesmo (equivalente ao Mirror Match, embora não aconteça de fato no filme); 3) Enfrente seu maior medo (o que seria o desafio final, onde seu inimigo pode se tornar quem você menos espera). Há também uma clara referência ao cenário The Pit, onde os espetos estão lá embaixo esperando. E mesmo Shang Tsung tentando se passar por Chan para iludir Liu, é lá que ele vai parar. Fatality! E tudo volta ao normal, não fosse pelo fato do Imperador Shao Khan ficar irado e resolver aparecer para acabar com os humanos miseráveis. Vai ter continução, pois o gancho foi deixado…

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Atenção para a receita de bolo

Tobias e Boon com o Goro. “Dá um abraço aqui, galera, no final deu tudo certo”

MK deu até bem certo, considerando que tudo apontava para um óbvio desastre, mas há alguns motivos para o sucesso.

Para garantir que um diretor sem expressão e um roteirista zé-ninguém não tirariam toda a dignidade da franquia MK, seria preciso a intervenção de dois gamers nerdongos pra garantir que o doce não ia desandar. Eles são nada menos que Ed Boon e Jonh Tobias! Sim, os pais do game se uniram a Anderson e Droney num verdadeiro “trabalho a 8 mãos” para garantir que o produto final não acabaria com a reputação da franquia. Percebam que há uma diferença das demais produções de filmes de games, onde a detentora dos direitos cede uma concessão de produção a um estúdio e diz “vai lá, faz um filme e me dê grana”. Boon e Tobias pelo jeito sacaram que só quem entende e respeita o jogo e a mitologia que o envolve poderia dar um rumo crível a um filme baseado nele, com uma consultoria massiva e presencial. E acertaram na mosca! Taí uma lição da produção desse filme que deveria ter servido de para todas as produções a partir dele: filmes de games que almejam um bom

Enquanto a Sonya grita “Socorro, Popeye, salve-me”, aprecie o cenário

resultado PRECISAM da consultoria de alguém que curte o jogo, que conhece da cronologia, que se familiariza com a história dos personagens. Não basta ter um diretor com cacife (como em Super Mario Bros), ter atores conhecidos (SMB, Double Dragon e Street Fighter) ou ter um roteiro do tipo “assim eu acho a história mais legal” ou “eu acho esse personagem mais legal, o principal da história tem que ser ele”, o que foge absolutamente da storyline original do game, como se pode ver em… bem, todos os game movies anteriores! MK é o filme baseado em game que mais se aproximou de um resultado aceitável, e o crédito principal disso sem dúvida é de uma consultoria adequada.

Outworld, a terra devastada

Muito legal também foi a decisão dos produtores do filme, que optaram por coreografar todas as lutas, não com dublês, mas sempre com os próprios atores, e isso foi chave nas cenas de ação, que de um modo geral ficaram muito boas . O coreógrafo e artista marcial Pat Johnson foi o responsável pelas sequencias de luta de todos os personagens, desde os lutadores já experientes até aos que não sabiam bulhufas de artes marciais, e conseguiu um excelente resultado, com cenas bastante críveis e realistas a maior parte do tempo. Os cenários ficaram bem no clima do filme, bastante sombrios e misteriosos. Figuras que vemos nos jogos, como os monges encapuzados ao fundo dos cenários, também estão lá.

Netherrealm ficou tão bom que entrou para o jogo

Outro grande acerto foi na caracterização. Sub-Zero, Scorpion, o ninja Reptile e até mesmo Goro estão muito bem nas suas indumentárias . A caracterização dos ninjas, principalmente,  ficou ótima, embora se parecessem mais com seus visuais em MK II e eu preferisse aquele mais “clean” de MK. Até a voz de Scorpion está idêntica ao jogo, cortesia de Ed Boon, dublador do ninja no game, que até nisso teve o cuidado de preservar o personagem. Mas a grande maioria dos personagens, mesmo não estando idêntica ao game, estão extremamente convincentes e nem precisariam de “fantasias” dos jogadores para demonstrarem quem são. Shang Tsung segue o formato MK II e está perfeito. Liu Kang, embora com suas madeixas bufantes, nos convence plenamente que ele é o herói com seu estilo de luta e golpes, ainda que sem a gritaria a la Bruce Lee do personagem no jogo. Johnny Cage não precisa em nenhum momento aparecer sem camisa e de bermuda de lycra de professor de academia pra dizer quem é. O mesmo vale pra Raiden, Sonya e Kitana. Ao contrário de Street Fighter, aqui ninguém caiu no ridículo de parecer que saiu pra festa dos cosplays com a fantasia alugada no brechó da esquina e soltando uma frase de efeito a cada 10 minutos. As atitudes dizem quem é quem.

Os guerreiros da Terra fazendo pose

E falando em atitude, a maioria dos atores principais estão ótimos. Robin Shou conseguiu passar boa credibilidade a seu Liu Kang, o sempre competente Cary-Hiroyuki Tagawa está excelente como o maléfico Shang Tsung e Christopher Lambert consegue tornar Raiden um misto de mestre zen com deus ultrapoderoso, que só com o olhar já diz “posso te matar, então não mexa comigo”. Mas tenho que aplaudir mesmo é o desconhecido Linden Ashby. Ele é o melhor em cena o tempo todo e suas atitudes que mesclam o fanfarrão folgado com o mestre das artes marciais definiram de vez a personalidade de Johnny Cage, sendo o herói e o alívio cômico ao mesmo tempo. Curiosamente, para Robin Shou e Linden Ashby, esses seriam os papéis da vida deles, pois nunca mais apareceram em um filme decente, ainda mais com a projeção mundial que MK ganhou. De qualquer forma, mesmo sobre os demais atores que não foram tão bem, todo mundo parece estar bem à vontade em seus papéis, sem parecer forçado ou caricato, sendo que boa parte das qualidades do filme se deve à ótima desenvoltura do elenco.

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Mas e aí? É bom?

Mesmo não sendo consenso, de modo geral é inegável: Mortal Kombat é a melhor adaptação de game para

“Olha pra trás, manolo! OLHA PRA TRÁÁÁÁÁS!!!”

cinema já feita. O filme tem todos os ingredientes necessários que os gamers esperam ver na tela: personagens, interpretações, referências ao jogo, tudo com naturalidade, sem parecer forçado ou canastrão, e ainda adicionando elementos que viriam a entrar para a cronologia dos games.

Mas é claro que o filme não é perfeito. Tem alguns defeitos que, embora perdoáveis, poderiam ter tornado MK um clássico dos game movies se não estivessem lá.

Já que ia mesmo ter personagens dos dois jogos, por que não fazerem lutas onde mais personagens aparecem? Nem conseguimos simpatizar com alguns cadjuvantes, que claramente estão em cena apenas pra servir de bucha de canhão e serem mortos idiotamente. Se tivessem feito assim, Shang Tsung poderia sugar a alma dos derrotados e invocá-los no final, fazendo uma luta final mais dramática e interessante, mas a ausência disso torna a luta genérica, contra outro punhado de buchas. O mesmo vale pro Kano, que TINHA que ter voltado no final para lutar decentemente, coisa que não fez na parte em que apareceu. Também há um desperdício de personagens interessantes. Jax

As caracterizações dos personagens ficaram ótimas!

está lá, mas não vai ao torneio. Sonya só luta uma vez, mas num embate bem chinfrim. Kitana só ensaia uma luta meio “ai, me agarra, gostoso” com o Liu Kang. Outro que poderia aparecer mais no filme e até lutar é Boyd, o mestre do Johnny Cage, que quando aparece usa até os famosos óculos escuros, mas foi completamente descartado de cara. Bem que podiam tê-lo aproveitado no filme e depois transferido para os games, garanto que ele seria melhor que caras como o tal do Bo’Rai Cho.

Outra coisa chata foi a censura. MK pegou um PG-13 da censura americana, ou seja, um filme permitido para crianças de 13 anos em diante, e isso no contexto estadunidense significa que nem umazinha gota de sangue pode ser derramada no decorrer do filme. Péssimo, pois como pensar em MK sem pensar naquela sangueira descabida e cabeças explodindo? No meu entender, o resultado final ficou prejudicado.

Você sabia que o Scorpion é italiano?

E, convenhamos, embora Goro esteja bem caracterizado, é um bonecão esquisito do car@34&! A cara do bicho parece a do Baby Sauro, suas falas saem atrasadas e a movimentação dos seus braços é muito estranha. Não ficou muito parecido com o dos games e merecia coisa melhor.

Mesmo com esses deméritos, MK foi um sucesso de crítica se comparado aos seus antecessores, ganhando uma avaliação 5,4/10 do IMDB e 35%/100% do Rotten Tomatoes, as melhores notas dadas até hoje para um game movie com atores reais. Só comparando, o Rotten Tomatoes deu nota 13% para Street Fighter, ZERO para Double Dragon e 14% para Super Mario Bros. E gastando 11 milhões de doletas a menos que Street Fighter, 18 milhões a menos que Super Mario Bros, mas arrecadando 122 milhões a nível mundial, bem mais que os game movies antecessores! Gostando ou não, MK deu Fatality na concorrência e mostrou que sim, filmes de games podem ser muito bons. Flawless Victory!

Ah, se você pretende assistir para relembrar, em nome do deus do trovão NÃO ASSISTA A VERSÃO DUBLADA! As vozes não tem nada a ver com os personagens, o som de fundo foi mudado em diversos takes, nomes de personagens foram traduzidos e a voz de Scorpion parece a de um garçon de boate gay. Por pouco traduziram o nome de Johnny Cage como “Joãozinho Gaiola”.

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Algumas Curiosidades

  • Reptile, o “American Ninja”

    O clima de flerte de Liu Kang e Kitana era, a princípio, para ser só uma tirada de sarro dos produtores com Ho Sung Pak e Katalin Zamiar, que fizeram os personagens na produção do jogo e acabaram engatando um namoro. No fim das contas, a suposta brincadeira acabou fazendo parte mesmo da cronologia do filme e dos jogos.

  • Embora peritos em artes marciais, nenhum dos ninjas do filme é oriental ou asiático. Chris Casamassa (Scorpion) é italiano, François Petit (Sub-Zero) é francês e Keith Cooke (Reptile) é estadunidense. Apenas Cooke volta no filme seguinte, mas dessa vez como o novo Sub-Zero, e sem saber na roubada em que entrou…
  • Trevor Goddard, o Kano, que no filme é traficante de drogas e líder de gangue, morreu em 2003 por overdose de drogas.
  • Bridgette Wilson, a Sonya, ganhou o apelido de “Robo Babe” da produção do filme, pois ela tinha dificuldade em executar as coreografias de luta com naturalidade.
  • Robin Shou não queria o papel de Liu Kang, mas o de Shang Tsung, e precisou ser convencido por seu agente a aceitar.
  • Van Damme foi o primeiro a ser sondado para o papel de Johnny Cage. Com a desistência, os próximos da lista eram Tom Cruise e Johnny Depp, que também não toparam. Até Brandon Lee foi consultado, mas estava envolvido em outro trabalho. Linden Ashby, considerado um quebra-galho, surpreendeu e salvou a pátria.
  • Cameron Diaz seria a Sonya, mas teve que negar por estar filmando em local distante e não poder se apresentar às duas produções.
  • Liu Kang não tem a faixa vermelha como em MK II, mas, em compensação, a cabeleira bufante de Robin Shou acabou mudando o visual do herói de vez a partir do jogo MK 3.

Bem, espero que tenham gostado do review e do filme. Mas ele tem continuação! E, chato falar, destruíram com os pés tudo que construíram com as mãos no primeiro… não vou falar mais nada, pois essa bomba responsabilidade vai ficar pro 00Agent! Boa sorte, companheiro, e lhe adianto que MK: Anihilation aniquilou minha esperança de que os game movies progridam. Espero que você sobreviva…

Até a próxima edição da Maratona Passagem Secreta Game Movies! This… is… Spartaaaaaa!

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Pessoal, o que vou dizer aqui agora não tem nada a ver com games, mas com filmes. Essa semana o mundo perdeu mais de 50% da sua graça com a morte de Leslie Nielsen, aos 84 anos.

É quase impossível que alguém que tenha seus 20 anos ou mais nunca tenha visto pelo menos um filme do “véio que só de olhar pra cara dele já racho o bico”. Ator e galã de filmes sérios, decidiu virar comediante e começou no filme “Aperte os Cintos, o piloto Sumiu!”. De lá pra cá, fez um monte de filmes hilários, sendo que a série “Corra que a Polícia vem aí!” é a mais conhecida. Em agradecimento por ter me matado de rir desde criança, num verdadeiro Fatality de gargalhadas, dedico a ele esse review. Um bom e hilário descanso, tenente Frank Debrin…


Flavio Master

Retrogamer assumido, técnico em eletrônica, leitor de livros e quadrinhos, empreendedor individual, eventual colecionador de videogames e amante da cultura gamer em geral. Mas apanho um monte pra usar um tablet…

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  1. 4, dezembro, 2010 em 03:10 | #1

    Gostei das tiradas do review, ficou muito legal mesmo! Ainda mais que contextualizou a gente no hype da época – quando eu tinha só 6 anos de idade. Mortal Kombat até hoje é um exemplo de como fazer uma boa adaptação de jogo para filme – uma pena que pouca gente segue a "fórmula"

    É fácil pegar um filme desses e deixar para os outros A Aniquilação… Humf!

    • Flavio Master
      4, dezembro, 2010 em 05:54 | #2

      Se serve como equivalencia cármica, saiba que fui ver Anihilation NO CINEMA! Nunca gastei dinheiro tão mal na vida quanto nesse "investimento".

  2. 4, dezembro, 2010 em 08:52 | #3

    Cara, morri de rir disso:

    ""Por pouco traduziram o nome de Cage como “Joãozinho Gaiola”."

    AHAHAHA!
    Pra mim é um dos melhores game movies, está no meu Top 5 (Ok, nem existem tantas adaptações boas assim, mas eu relevo XD)!
    A melhor cena desse filme PRA MIM é a luta contra o Reptile. PERFEITA. ÉPICA. VIBRANTE. Tudo é demais ali. A música, os golpes, os ângulos, tudo!
    A batalha final também é bacana, e até hoje me emociono com aquele montão de almas subindo aos céus finalmente, e o irmão do Liu agradecendo ao som de Orbital!
    Aliás, a trilha é uma das melhores já feitas até hoje pra mim.

    Ótima análise! Aguardo a próxima bomba! xD

    • Flavio Master
      4, dezembro, 2010 em 09:04 | #4

      Uma vez usei aqueles programas de tradução, acho que era o TraduzTudo ou um outro aí, muito antes do Google Tradutor, para traduzir uma lista de golpes secretos de MK, e ele traduziu Johnny Cage como "Gaiola do Johnny". Também transformou Word for Windows em "palavras para janelas"… :p

  3. 4, dezembro, 2010 em 10:18 | #5

    Excelent!!! MK rules!!!!
    puta vontade que deu de assistir novamente…

    Parabéns pelo texto Flávio, muito completo e divertido.
    Abração!!!

  4. KZDUARDO – RJ
    4, dezembro, 2010 em 12:56 | #6

    Excelente análise, como esperava! Dei muitas risadas e recordei os velhos tempos, quando MK reinava absoluto nos 'Fliperamas' do suburbio do Rio. ( fiquei até com vontade de assistir o Dvd pela milhonesima vez XD )
    Sou suspeito pra comentar pois adoro MK ( até a luta do Sub-Zero eu acho fodástica )Mas, nada a acrescentar , concordo em genero numero e grau com o review. Curiosidades muito interessantes tambem, nao sabia que Robin Shou queria ser o Shang Tsung não( e quem sera que faria o Liu kang? bom deixa pra la..) rs
    Ah,fui um dos mal-afortunados que foi ver Anihilation no cinema tambem..e quanta expectativa eu criei em torno daquilo..
    Enfim,otimo texto, recomendadissimo.

    E muito Boa a lembrança do Mestre Nielsen no final.Até a proxima.

  5. 4, dezembro, 2010 em 13:45 | #7

    pow depois de ver tantos elogios rasgados a esse filme acho até que ele merece uma nova chance… confesso q assisti o famigerado street fighter e até mesmo a "aniquilação" antes de assistir a esse filme e por conta disso já o assisti meio com um "preconceito" por isso dava uma nota "B-" pra ele… mas ainda assim ele era, de longe, a melhor adaptação de game para filme que existia… eh legal tambem saber que foi um sucesso de público… enfim, na proxima vez que tiver uma oportunidade de assisti-lo eu o farei…
    p.s.: eu não assisti ainda mas pelo que andei ouvindo a melhor adaptação de game pra filme é o prince of persia seguido de silent hill alguem confirma? que venha a "aniquilação" que de fato "aniquilou" toda a esperança que eu tinha de ver uma adaptação decente pro cinema… só perdi esse preconceito com o "homem aranha 2"

    • Flavio Master
      4, dezembro, 2010 em 14:33 | #8

      Pois é, sei que não e consenso entre os gamers que MK foi o melhor game movie já feito, pois gosto cada um tem o seu. De um modo geral até a crítica mais especializada em cinema gostou do filme, o que sinaliza que, pelo menos, esse era o rumo certo para novas adaptações. Mas tou contigo, se tivesse assistido MK Anihilation antes desse, nem teria me dado ao trabalho…

  6. 4, dezembro, 2010 em 20:23 | #9

    "Ao contrário de Street Fighter, aqui ninguém caiu no ridículo de parecer que saiu pra festa dos cosplays com a fantasia alugada no brechó da esquina e soltando uma frase de efeito a cada 10 minutos" HAUHAuHUAhuHUAHAUHAUHAUHAUHAUH!!!!

    Ótimas tiradas Flavio, e ótimo review! Apesar de termos que assistir e pesquisar muito sobre estes filmes da Maratona, que geralmente são horrorosos ou pior, é um exercício de crítica ácida e irônica inigualável.

    Sou mais um que adora este filme. Na minha opinião, é o filme baseado em jogo mais fiel ao game de origem, e o segundo melhor filme de games (Silent Hill é o primeiro – não assisti Prince of Persia ainda).

    Fico imaginando Tom Cruise e Cameron Diaz atuando no filme e não consigo… (apesar que a presença desta última já ser um ótimo motivo para se assistir um filme :D). O Van Damme rodou legal nessa escolha (adorei a tirada com direito a pausa para respirar :D).

    Nunca assisti à "continuação" deste filme, justamente por todos massacrarem ela. Já senti vergonha alheia no trailer: parece um filme de fã muito mal feito.

    • Flavio Master
      5, dezembro, 2010 em 04:29 | #10

      Cara, imagine um filme que misture Street Fighter com Power Rangers e você tem MK Anihillation.

  7. 6, dezembro, 2010 em 05:41 | #11

    Hey, obrigado por ter lembrado do meu artigo falando da trilha sonora do Mortal Kombat e a versão original dela – Sim, a que escutamos é um remix, é só ir la no 4 para escutar a verdadeira *merchan mode off* – Eu lembro que meu pai comprou pra mim esse filme quando ele veio junto com uma Ação Games, e numa edição futura rolou um vhs com o making off + uma animação em 3D que na época era o O da tecnologia. E eu o assistia direto, sabe quando uma criança encarna num filme ou desenho ? Comigo foi com o filme do MK 😛

    Lembro até que fomos ver a estréia no cinema, e que na sala tinha uns 3 imbecis que ficavam apontando na tela com caneta laser. Lembro que meu pai levantou e deu um esporro épico nos caras, daqueles que o cinema inteiro se virou para trás pra ver o que tava rolando. Tanto que minutos depois os caras sairam da sala 😛

    Só esse depoimento já diz o quanto gosto desse filme, porém nunca vi o filme no DVD, mas tenho vontade de compra-lo para ver se nos extras viriam o conteúdo dessas outras fitas…

    E tirando a continuação sofrida, a única coisa que se manteve depois do filme original foram a trilha sonora mesmo, que mesmo soando meio caça-niqueis pois tiveram vários depois do primeiro filme, são coletâneas muito bem montadas e indicadissíma para quem curte música eletrônica !

    E um desses discos, chamado More Kombat, tem uma música exclusiva de um dos meus grupos (ou dupla :P) favoritos, o Crystal Method ! Hoje alguns podem conhece-los por causa de algumas músicas que rolaram em alguns needs for speed da vida, mas nessa época eles eram meio obscuros e acabaram fazendo essa faixa que na minha opinião, é uma das mais f*das dele ! (Alias, quem quiser escuta-la, ela vai rolar em seguida da música do Mortal kombat no mesmo post…hey, não tinha desligado o modo merchan 😛 ?)

    Fiz um comentário ou um post ? Enfim, parabéns pelo tópico e pela inspiração, vou ver se escrevo algo mais detalhado dessa OST que é tão froidz 😉

    • 6, dezembro, 2010 em 06:07 | #12

      Alias…esqueci de comentar algo (se é que não vou esquecer de alguma outra coisa :P) – Na imagem que você usou do Kano com uma faca. Lembro que quando saiu o filme nas locadoras, fui ver na casa de um amigo, e bem nessa hora a mãe dele entrou e disse "Não sei como vocês conseguem ver porcaria de filmes violentos como esse"

      O tempo passa o tempo voa…e esse meu amigo passou a morar com o pai, pois os pais se separaram pois a mãe dele lascou um chifre no velho ! Hipocresia ? Que é isso, filmes violentos são piores que cometer adultério…

      • Flavio Master
        6, dezembro, 2010 em 20:22 | #13

        Engraçado. Ela não é a primeira pessoa que diz que o filme é violento, mesmo sem ter um pingo de sangue na tela…

  8. CarbonCrashII
    6, dezembro, 2010 em 13:34 | #14

    Ótimo Post! Deve ter demorado muito tempo para fazer =O
    Ficou maravilhoso! Já ví o filme e concordo. As vozes dubladas ficam ridículas.

    • Flavio Master
      6, dezembro, 2010 em 14:38 | #15

      Cara, a pior parte da dublagem é a "tradução" de nomes. As vozes não tem nada a ver e deixam o filme com cara de produção de fundo de quintal. Quando ouvi o nome do Kano com uma pronúncia abaianada (tipo "canó"), Scorpion dizendo (nem gritando) um "venha cááá" ou o Reptile ser chamado de "réptil", desanimei geral. Do mesmo jeito que para fazer um game movie é preciso respeitar o material original, penso que numa dublagem a lógica deveria ser a mesma.

      No mais, tks pelos elogios.

      • CarbonCrashII
        6, dezembro, 2010 em 15:27 | #16

        Concordo, desanimei também quando vi os nomes, mas botei fé e continuei. Essa tradução decepcionou os Gamers. É, fazer o que :/

        • 7, dezembro, 2010 em 04:35 | #17

          Eu não sei vocês, mas o filme teve duas dublagens. Eu tenho a VHS com a primeira dublagem e o DVD com a dublagem mais recente. A dublagem do DVD é ridícula mesmo. Já a do VHS… Meu amigo! O único ponto ruim é a qualidade dos equipamentos que não eram tão bons e muitas vezes a dublagem falhava, aumentava, baixava… Fora isso, eu acho ela perfeita! Inclusive as vozes.

          • Flavio Master
            7, dezembro, 2010 em 12:29 | #18

            Hmmm… não sei dizer qual é a versão dublada que tenho aqui, Jejé. Indo por essa lógica, certamente é a do DVD.

          • KZDUARDO – RJ
            9, dezembro, 2010 em 10:30 | #19

            Exato! A dublagem do VHS é paulista e contem quase que as mesmas vozes do MK ANHILLATION dublado:
            Rayden -> Carlos Campanile
            Liu Kang -> Élcio Sodré
            Cage -> Francisco Bretas
            Sonya -> Cecília Lemes

            Essa dublagem é muito rara, e pelo menos , mantiveram os nomes sem as alterações loucas da dublagem carioca! Estou a procura dela. ^^

            • 9, dezembro, 2010 em 10:37 | #20

              Ahaha, se panz vou pagar meu chefe pra ele converter o meu VHS pra um DVD! É muito rara mesmo aquela versão!

  9. 25, dezembro, 2010 em 22:14 | #22

    Ficou muito bom o reviwe =D Foi bom lembrar um pouco do filme, q vi quando era uma criança de sete anos xD Realmente a morte de Leslie Nielsen foi uma perda enorme =/

  10. 1, janeiro, 2011 em 06:30 | #23

    Uma curiosidade é que alguns DVDs do filme Mortal Kombat vem com um gorro extra (acredito que essa era uma edição limitada). Assisti com gosto esse filme no cinema. A galera gritava muito.. no mesmo dia, eu assisti Dei & Loide. Engraçado era o meu pai, que me acompanhava nos filmes, disse assim (na cena de luta do Liu vs Reptile) "essas coreografias devem ser lá do 20ª dan.." e tal. Eu praticava Karatê nessa época, e assistir essas lutas bem coreografadas era realmente inspirador. Sem contar que a trilha do filme faz sucesso em tudo quanto é lugar até hoje.. até em ambiente de trabalho ela é tocada para exibição de vídeos. Muito bom. Sem dúvida, esse também entra no meu TOP 5, precisamente o nª1. Gostei do review, explica processos de produção, inclusive, indicando possibilidades que levaram o motivo pelo filme ter dado certo. Embora, mesmo com ou sem a consultoria de Ed Boon e Tobias, a competência deveria estar nas mãos da produção – havia uma equipe de peso por trás – o filme contava com os mesmos responsáveis pelos efeitos especiais de O Exterinador do Futuro 2, um dos maiores sucessos dos anos 90. Há filmes adaptados por aí, mal criticado por N motivos por seus fãs, que receberam consultoria de seus próprios criadores: como Batman Eternamente (filme da mesma época de MK) recebeu alguns conselhos do próprio Bob Kane (considerado o criador do Batman que conhecemos até hoje nas HQs) ele fez parte da produção e também participou dos bastidores de Batman & Robin. E Street Fighter A Última Batalha foi supervisionado pelos consultores da Capcom, que chegou a ter intensões de montar uma divisão cinematográfica – creio que sua única produção inteiramente filmada foi o "Tokusatsu" Guyferd – o tal do capitão Sawada, por exemplo, não era um personagem criado apenas para o filme, eles tinham algumas idéias ambiciosas sobre ele, pena que não aproveitaram tudo o que tinham para aproveitar.

    • Flavio Master
      2, janeiro, 2011 em 11:45 | #24

      É mesmo, não lembrei desse detalhe sobre a produção ser a mesma do Exterminador do Futuro 2. Mas a diferença é que Boon e Tobias praticamente roteirizaram o filme com Kevin Drooney e estavam do lado de Paul W. S. Anderson na direção. Eles eram algo mais do que uma consultoria nesse filme, sendo que em MK Anihillation eles viraram APENAS consultoria e deu no que deu.

      Desculpe a ignorância, mas o que vem a ser um "gorro extra"?

  11. 3, julho, 2011 em 10:24 | #25

    O melhor mil vezes. Ótima análise!

    Acho que a melhor luta foi com Reptile x Liu kang.

    Assisti com as duas dublagens (Alamo, em VHS e Erbert Richers na Globo). Vou ver se encontro a versão legendada. Assisti 3x em VHS e assisti algumas vezes na Globo. Eu era alucinado pelo MK2 na época no meu antigo Mega Drive 3…

  12. PJ
    8, novembro, 2011 em 13:34 | #26

    Pura verdade tudo que foi postado aí.

    Só discordo de uma coisinha: eu acho que tinha MUITO pra dar certo ese filme. MK é um jogo que tem uma história MUITO boa, ao contrário de Mario e SF. E sendo um jogo de luta, essa história é contada de forma fragmentada no game, então é perfeito pra ser preenchida e cronologizada em filme. E com a ajuda do Boon e do Tobias, então…

  13. PJ
    8, novembro, 2011 em 13:36 | #27

    Não vão fazer um post desses com Silnet Hill não?

  14. PJ
    8, novembro, 2011 em 17:50 | #29

    @Talude a ta desculpa, eu não sabia…

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