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20 anos de Super Nintendo – Parte 2

Este post é parte do especial “20 anos de Super Nintendo” que comemora os 2o anos de lançamento do console. São ao todo quatro posts, onde cada membro do site comenta sobre os três games mais importantes do console em sua vida, sendo organizados por um índice geral.

Cá estou, Flavio Master, na segunda etapa de nossas homenagens ao 16 bits da Nintendo. Está na cara que não vai dar pra lembrar dos games mais queridos de todos, até porque já está mais do que provado que a maioria de nós são uns “Seguistas lazarentos”, mas é impossível ignorar um console com a projeção e a história na cultura gamer que o SNes teve. E minhas escolhas são baseadas menos em parâmetros técnicos e mais na emoção e diversão que estes jogos me proporcionaram, embora alguém possa achar que estou pagando de alternativo ou imitando o Talude. Enfim, chega de conversa mole, ao post!

Admito que o 16 bits da Nintendo nunca foi meu preferido, mas não dá pra ignorar que o sucesso do bichinho é bastante justificável, com games memoráveis e adaptações incríveis. Sempre me batia aquela ponta de inveja quando a discussão com os Nintendistas chegava ao tópico “jogos de luta”, onde o Super Nintendo sempre se mostrava competente e superior. Como fã incondicional desse gênero, me vi obrigado a comprar um depois de um tempo de relutância. E, claro, logo vi que o SNes não se resumia apenas a jogos de porrada.

 

 

Rocky Rodent

Resolvi ir à cata e jogos de plataforma (que não fosse Mario, lógico) e descobri um game bem underground e pouco conhecido até de fãs do console, chamado Rocky Rodent! Como adolescente punk/metaleiro que fui, achei o visual do personagem do cacete (bermuda, camiseta surrada, All Star e a cara de doido). Ele é um tipo de ratão (ou gato, sei lá que merda é aquilo) que aceita uma missão de resgate a troco de comida. No caminho você acha um item que muda seu cabelo em quatro tipos de corte (topete, moicano, mola e trança), que te dão um ponto de energia e servem para cumprir a missão de cada fase, na “cabelada” mesmo. As fases, que sempre começam com o bicho dando um berro, vão variando e algumas são hilárias, como a segunda, onde você sai perseguindo uma Kombi véia (!) que seus inimigos usam pra um sequestro, CORRENDO atrás dela e cepando topetada!

 

Embora o game não seja lá muito original e não consiga manter uma ação empolgante por todas as fases, se tornou memorável pra mim por causa do personagem carismático da Irem, a produtora do game, além dos bons gráficos, som excelente e o clima divertido. Mas que pelo jeito não agradou muito, talvez pelo visual “trash” do personagem… ou por falta de investimento mesmo. Se nunca jogou, procura aí porque esse é legal!

 

Nosferatu

Outro tipo de game que sempre curti, alem dos de luta, eram desses que misturam ação com puzzle, categoria onde entram games como Prince of Persia, Out of This World e Flashback . A busca por games desse tipo me fez achar outra pérola pouco conhecida dos fãs do SNes, Nosferatu, um jogo de vampiro levemente baseado num homônimo filme expressionista alemão de 1922, da época em que esses seres eram assustadores, malvados, hediondos e chupavam sangue, diferente de hoje, onde o conceito de vampiro mudou tanto que o negócio deles é chupar outra coisa.

Na trama do game a situação é tensa: um jovem tem sua bela esposa subitamente sequestrada pelo demoníaco senhor das trevas, o desmorto Conde Nosferatu, e parte em seu socorro antes que seja tarde. O game lembra muito o clássico Flashback, mas com monstros e com muita porrada. Você precisa avançar no castelo surrando seres monstruosos que circulam por lá e, lógico, os chefes também. Mas não se iluda achando que é um beat n’ up, pois toda dinâmica do game é muito mais baseada na exploração do ambiente e das fases, que podem ter mais de uma saída. Se tentassem trazer Castlevania para um universo mais próximo da realidade,esse seria o game.

 

Incrível é o fato desse game sensacional ser desenvolvido pela Seta (passou raspando, hein?), uma thyrd party quase desconhecida. Mais incrível ainda é como Nosferatu espreme a capacidade gráfica que o SNes pode oferecer sem usar nenhum chip adicional pra bombar o desempenho do cartucho, com gráficos que se assemelham ou até superam os de alguns dos primeiros games do Playstation, fato pode ser claramente percebido especialmente nos cinematics. Some-se a isso uma jogabilidade impecável e um som fantástico que cai feito uma luva no clima grave e sombrio do jogo. Um game desses na mão de uma grande produtora era certeza de franquia.

 

Como cereja do bolo, você chega no final e, dependendo do que você pegou no caminho, ou do caminho que pegou… surpresa!!!! Um final diferente, nem tão inesperado, mas de explodir a cabeça. Por muito tempo eu achei que esse era o final verdadeiro, pois foi o que fiz de primeira, só muito depois fui descobrir que havia um final feliz. Taí os vídeos, com o final normal e o final “very very bad”, mas se você ainda não chegou no final ou nunca jogou, NÃO VEJA, vai jogar primeiro, pois esse é um game foda, indispensável pra quem curte o SNes e um dos melhores que já joguei.

 

Final

Bad Ending (e bota “bad” nisso)

 

 Prince of Persia

Por fim, ainda nessa toada, na época fiquei muito curioso curioso em relação à versão de Prince of Persia para o console azul e amarelo. Antes de comprar o meu, já tinha visto uma vez e mal acreditei, já que a versão para PC é bem pobre de detalhes no cenário e a de Mega/Sega CD segue o mesmo caminho (veja bem, não me xinguem, eu sei que o jogo é duca, estou falando de gráficos!). Eu imaginava que a versão de SNes só integrava gráficos mais bonitinhos, mas me enganei.

Foram mudados caminhos e desafios, mas sem tirar nada da essência do jogo. As 12 fases, comuns a todas as outras versões, viraram 20 etapas cabeludas, tanto que o tempo de jogo são duas horas, contra apenas uma hora nas outras versões. É mais ou menos assim: se antes você tinha que subir em uma plataforma pra desarmar uma armadilha e pegar um item, agora você tem que duelar com inimigos, subir dois andares, desarmar outra armadilha pra dar acesso ao local onde, após enfrentar um desafio e saltar um vão enorme, desarmar a armadilha que libera o item e voltar lá pra pegar. O game, que já era desafiador, ficou mais ainda, só que sem se tornar impossível.

Outra coisa que achei muito melhor que no original é a inteligência artificial do jogo. Na versão de PC, poucos inimigos te davam trabalho, na verdade só dois, o guarda gordão da sexta fase e o inimigo final Jaffar, mas no SNes você tem que se virar pra provar quem é o espadachim que manda nessa bagaça, pois nenhum guarda da masmorra tem pena de você. Sobre os chefes, também exploraram muito bem o último, Jaffar, que, ao invés de apenas duelar com você, mostra porque tem a fama de feiticeiro fodão e usa uma porrada de artifícios de magia para tentar te matar, mas ganhar dele compensa o esforço com um final bem mais elaborado que nas outras versões. Posso dizer que isso foi, de longe, o que eu mais gostei nessa versão, pois sempre achei o Jaffar um chefão muuuuuito mongol, que apanhava e morria de maneira muito mais “bolha” que muito guardinha chulé que te atacava no meio do caminho.

Voltando à questão dos gráficos, enquanto nas outras plataformas os cenários e inimigos eram o mais “clean” possível, aqui a riqueza de detalhes gráficos surpreende, das pedras ao background, com uma paleta de cores impressionante. No som é que mora o problema, pois o duelo com as espadas tem um som muito, digamos, “vítreo” (como se as espadas fossem de vidro ou, quem sabe, os adversários estariam lutando com garrafas), além do som dos passos, que acusa que  o príncipe usa sapatos de chumbo. Mas as vantagens superam em muito esse pequeno erro. No meu entendimento, por tudo isso, o SNes conseguiu nos dar a melhor versão do game Prince of Persia na geração 8/16 bits.

—————————————-

É claro que o 16 bits da Nintendo tem outras virtudes, mas deixo esses 3 exemplos só para demonstrar (o óbvio) que o sucesso do SNes não é injustificado. Um sistema que entrou no mercado americano apanhando forte e veio a se tornar o console 16 bits mais vendido no mundo é muito mais que digno de nota, é digno de aplauso. Parabéns, Super Nintendo.

Flavio Master

Retrogamer assumido, técnico em eletrônica, leitor de livros e quadrinhos, empreendedor individual, eventual colecionador de videogames e amante da cultura gamer em geral. Mas apanho um monte pra usar um tablet…

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Categories: artigos, especiais, Super Nes
  1. Felipe Silva
    9, dezembro, 2011 em 02:58 | #1

    Nem acredito que alguém lembrou do jogo Nosferatu. Eu conheci ele por acaso e achei foda como ele juntava o estilo plataforma e pancadaria de uma maneira bem dosada. Até hoje não terminei por sempre me perder nos caminhos do castelo. Mas pretendo um dia jogar até o fim.

    Um dia vou olhar também o Prince of Persia, até hoje a unica versão que terminei foi a do Master System, que gostei bastante, depois dessa nunca mais joguei (um pouco traumatizado com a dificuldade do jogo xD)

    • Flavio Master
      9, dezembro, 2011 em 18:01 | #2

      Ufa, ainda bem que alguém conhece! 😀

      Já que você tocou no assunto, eu diria que a versão do Master System é a segunda que mais gosto, na época do lançamento foi elogiado em TODAS as revistas de games que o mencionavam. Mas recomendo demais a versão de SNes, sem dúvida é a melhor.

      • Felipe Silva
        10, dezembro, 2011 em 16:36 | #3

        Não sabia que a versão do Master tinha sido tão elogiada assim. Eu gostei muito dela, na época nunca tinha jogado nada com aquela movimentação realista antes e quando auguei eu passei o final de semana inteiro jogando até terminar 😀

  2. kurtrizzo
    9, dezembro, 2011 em 06:51 | #4

    Rocky Rodent é divertidíssimo!

  3. leandro(leon belmont) alves
    9, dezembro, 2011 em 07:20 | #5

    Nosferatu

    eu só vi esse games naquela coletânea de games antigos do SNES no PS2, e eu ainda não era retrogamer. joguei um pouquinho e achei massa. pena que há limite de tempo e eu nunca saia da primeira parte do jogo.

    já zerei Out of This World e Clock Tower, esse game vai ser o próximo da minha lista aqui. baixando já

    • Flavio Master
      9, dezembro, 2011 em 17:55 | #6

      O fator do limite de tempo nesses jogos não é necessariamente um padrão. Flashback e Out of This World não contam tempo, já Prince of Persia conta (embora de um jeito diferente). O que Nosferatu acerta em cheio é na ambientação, que ficou muito mais sinistro que outros games da mesma temática (inclusive Castlevania).

  4. 9, dezembro, 2011 em 14:41 | #7

    Rocky Rodent parece legal, nunca tinha ouvido falar nele, um dia ainda jogarei. 🙂
    Nosferatu eu adoro, a primeira vez que joguei ele devia ter uns 7 ou 8 anos de idade, mas só consegui zerar lá pelos 14, rsrsrs…. Pior que ás vezes jogava sozinha em casa e ficava tensa, a música que tocava nos chefes e os sons eram tensos demais!
    O Prince of Persia de SNES é lindo mesmo! Eles conseguiram criar uma ambientação perfeita neste jogo! Nos jogos de SNES em geral os gráficos eram bem caprichados… claro que existiam jogos horríveis, mas eram minoria.

  5. peron_
    10, dezembro, 2011 em 12:01 | #8

    CARALHO, EU JOGUEI ESSE ROCKY RODENT NA ÉPOCA!
    Não lembrava de nada, mas achei as screenshots familiares e, quando vi um vídeo, as memórias vieram à tona. Vou tirar a poeira do emulador hoje mesmo!:D

  6. 10, dezembro, 2011 em 18:05 | #9

    Parabéns Flávio pela matéria, como você mesmo disse, fugindo do trivial e comentando sobre alguns jogos esquecidos do grande público. Desses conheci e joguei muito Nosferatu e assino embaixo tudo que vc falou. Nunca cheguei a zerar, mas sempre joguei demais. Me lembro perfeitamente das músicas, os zumbis surgindo do chão, olhos voadores (malditos) e a sequência de combos mudando com a quantidade de cristais coletados. Um senhor jogo. Quanto a Prince, fiquei espantando com essa informação das fases, não conhecia esse plus do jogo (20 fases!? cacilda). Me deu até vontade de jogar (conheço apenas versões do PC, Mega e Master).

    Um abraço e continue com o blog!

    • Flavio Master
      13, dezembro, 2011 em 18:58 | #10

      Valeu, MarCel'. E é verdade, quase desisti de jogar por causa daqueles olhos-monstro desgraçados. Nosferatu é de um tempo onde jogar videogame podia ser MUITO hardcore, em certo jogos a dificuldade era perto do insano. O lance dos cristais mesmo, se você morria, perdia TODOS!

      Sobre o Prince, se você gosta, a versão de Snes é indispensável.

  7. Marvin
    20, abril, 2014 em 20:24 | #11

    Parabéns pela matéria do Nosferatu Flávio Master, concordo total, um dos melhores do clássico Snes.
    mas me diz ai Flávio, o que você fez de diferente pra obter uma zerada com final feliz, mano já detonei o jogo mas, sempre fui mordido no final (haha). estou ansioso pra tentar esse final alternativo vlw?

    agradeço a atenção!

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