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Entrevista com Bruno GuitarDreamer

Nesse universo online do qual fazemos parte, encontra-se cada vez mais material de fãs que arranjam e remixam Game Music, com qualidade que varia entre o lastimável à rendiçao perfeita. É mais fácil, ao procurar no Youtube por determinada música de um jogo, encontrar diferentes versões de fãs do que encontrar a própria canção original. Dentre esses “fan-arranges”, os covers de guitarra são os mais comuns, e nosso entrevistado se enquadra nesta categoria, apesar de se destacar no assunto. Com mais de 50000 visitas em seu canal no Youtube, Bruno GuitarDreamer – como prefere ser chamado – conversa com os integrantes do blog sobre seus jogos favoritos, as melhores músicas de videogame, e de como surgiu a ideia de arranjá-las na guitarra. E muito mais!

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Passagem Secreta: Primeiro de tudo, se apresente aos nossos leitores: Quem é, de onde vem, e o que faz da vida?

Bruno Guitardreamer: Opa, fala aí galera, tudo bem? Espero que sim! Em primeiro lugar gostaria de agradecer a oportunidade. Jamais pensei que algo assim fosse acontecer um dia, estou lisonjeado, valeu!

Então… Sou Bruno Castro, tenho 26 anos. Atualmente estou trabalhando na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) em Volta Redonda (cidade onde moro), RJ.

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Passagem Secreta: Quais foram os consoles que você teve até hoje?

Bruno Guitardreamer: Tive uma pequena variedade de consoles, alguns eu realmente obtive (comprei/ganhei de presente), outros passaram por minhas mãos através de empréstimos ou trocas temporárias de console que fazíamos durante alguns meses. O primeiro deles foi o  Telejogo II; meu pai possui até hoje uma unidade desse arcaico console, e pasmem… Está funcionando!! Foi meu primeiro contato com games, mas nessa época nem me interessava muito, pois eu era pequeno demais. Logo depois tive um  Master System, que ganhei em 1992, com 8 anos de idade. Apesar de minha verdadeira experiência com games ter começado anteriormente no Atari (onde eu comecei a desenvolver interesse nos jogos), meu primeiro videogame foi mesmo o Master System.

Já no Mega Drive eu joguei vários títulos graças a um amigo que vivia me emprestando. Isso foi em meados do primeiro semestre de 1996. Logo depois ganhei um Super Nintendo, graças a uma confusão que aconteceu comigo e um amigo meu. No ano seguinte, ganhei um Nintendo 64. Infelizmente veio somente com um adaptador, mas sem cartucho… Pelo menos mais tarde o adaptador serviu pra me possibilitar de jogar um MRC Multi-Racing Championship que eu peguei emprestado. Em 1998, ganhei o Game Boy Classic, na versão transparente, com o cartucho Battle Arena Toshinden. Também me proporcionou bastante diversão, foi inesquecível.

Após jogar vários games de N64 e sentir falta dos temas mais adultos, troquei pelo Playstation One. Só não foi uma boa troca porque houve um defeito que o som do PSX ficou zuado depois…

Em abril desse ano, comprei um Nintendo DS. Muito bom! posso dizer que o maior peso na decisão de escolhe-lo foi o Hardware e suas possibilidades de jogos divertidos, além de 3 games da série Castlevania que sempre tem enorme peso nas minhas decisões.

Outra compra que fiz agora há pouco foi a de um Playstation 2, não faz nem 2 meses. Apesar de eu ter adquirido mais de 50 jogos, ainda não investi tempo em nenhum deles… Estou com medo de comprar um X-Box 360 e acontecer a mesma coisa!

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PS:Com tanto console, fica até difícil escolher qual o que mais lhe divertiu. Ou não?

Sem dúvida, de todos esses consoles, os que mais me divertiram foram o Super Nintendo e o Nintendo 64. O Super Nintendo arregaçava com seus jogos. A Capcom e Konami me proporcionaram MUITA diversão com diversos títulos!!

E o Nintendo 64… Na minha opinião, até hoje nunca me diverti tanto com multiplayer como naquela época! Foi uma época de ouro em relação a multiplayer, só lamento pela Nintendo não ter investido tanto em jogos mais adultos como 007 e Perfect Dark.

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PS:Quando que você passou a aprender música?

Sempre quis tocar músicas de games, mesmo quando não conhecia nenhum instrumento musical de perto. Quando eu tinha uns 8, 9 anos ficava cantarolando VG Music e gravando em Fita K7 para depois ouvir…. Coisa de louco! Eu curto games até hoje, mas naquela época era um vício extremo!

Meu pai tinha um violão DiGiorgio que estava encostado há mais de dez anos… Foi então que mais tarde (em meados de 1998) resolvi aprender a tocar violão – sim, com essas revistinhas de cifras de banca de jornal! Fiquei anos e anos somente no arroz com feijão do violão, só sabia as principais posições dos 14 acordes básicos.

Posteriormente, depois de muitos anos, ganhei uma guitarra e comecei a me dedicar um pouquinho mais a aprender algumas coisas novas. Hoje aquele violão é meu, tenho ele aqui até hoje apesar de não usá-lo mais.

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PS: E, a partir daí, passou a tocar músicas de jogos? De onde veio a ideia de gravar vídeos com os covers?

A idéia de gravar vídeos de VG Music veio absolutamente do nada… Quando tinha uma câmera digital dando sopa aqui em casa eu já estava aprendendo a mexer no Fruity Loops e fazendo gravações de áudio a algum tempo. Então de repente me veio aquela na mente: Como seria se…?   E “puff!”, aconteceu… Lá estava eu gravando um cover de uma música do Kenseiden.

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PS: Qual sua Game Music/ trilha sonora favorita? Tem algum compositor favorito em mente?

Uma trilha específica, infelizmente não tenho. Geralmente em cada época eu tenho uma música alvo diferente que ouço repetidamente igual um maluco! Mas compositor, com certeza! Na verdade, compositora, A ETERNA Michiru Yamane (Castlevania: Bloodlines e Symphony of The Night)!  Grande ícone, não só da VGMusic, como de música instrumental em geral. Ela é um grande exemplo pra mim. Admiro também todo o time de músicos da Capcom, da SNK e também Tokuhiko Uwabo e Nobuo Uematsu, mas a Michiru… Best composer, EVER!

Uma das faixas compostas por Yamane


PS:Já ouviu falar do Video Games Live? O que acha da idéia?

Sim, sim, já conhecia. Acho perfeita a idéia! Resgata a infância/adolescência de muitos jovens/adultos, faz com que pessoas de mesmo gosto se aproximem, contem, mostrem coisas interessantes para o público… Enfim, é uma ótima oportunidade alternativa ao que se encontra por aí. É sempre bom ter variedade nos eventos, assim temos como agradar a todos.

Diversão garantida! Os Otakus tem o Anime Friends, nós temos o Vídeo Games Live! Yeah! o/

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PS:Falando em Anime, você, além dos games, também faz versões de temas de outras mídias? (filmes, seriados, desenhos, etc.)

Até faço outras versões, mas pouquíssimas e raríssimas, pois meu interesse geralmente é mais voltado a VGMusic, embora eu curta todo tipo de música instrumental.

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PS: Ainda assim, existe um estilo musical que você não goste, ou músico tem mais é que gostar de tudo mesmo?

Tem sim. Não gosto de Sertanejo da raiz, não gosto de Pagode, não gosto de Samba – apesar de gostar de Bossa Nova e não gosto do atual Funk do Rio de Janeiro, mas tenho algo a dizer que vai contra tudo isso que falei. Eu, diferente de muitas pessoas, procuro prestar atenção nas músicas, mesmo que não goste, pra ver se encontro algo que me interessa. Eu não acho que músico tem que gostar de tudo, mas é bom o músico CONHECER pelo menos UM POUCO de tudo. Por exemplo,o Sertanejo tem um vocal meio estranho por levar um tom carregado de choro, porém tem umas levadas de violão em algumas músicas que são interessantes.

Pagode tem letras geralmente muito enjoadas, mas tem uma enorme estampa brasileira e, para muitos, é um tesouro nacional. Eu respeito apesar de não gostar; nem um pouquinho, mesmo!. Acho que definitivamente o que mais me distancia do Pagode é o som do Cavaquinho, pois não consigo gostar do som daquele instrumento de jeito nenhum!

Também não gosto do Samba, mas qualquer violonista que toca Samba  – e que toca mesmo! – tem que tocar muito bem e eu admiro MUITO as técnicas de violão usadas no estilo. Se não fosse o Samba não teríamos o MPB que eu tanto admiro por sua dissonância incomparável!

Funk Carioca… O Funk tem seu segredo na batida. Quem não gosta da batida dificilmente vai gostar de alguma coisa… A letra pode ser qualquer coisa, desde seu cotidiano, relatos de coisas estranhas que acontecem nas ruas, experiências sexuais até obscenidade. Mas respeito quem curte, afinal é como se diz: E daí? “Cada um no seu quadrado”!

Agora… O GROOVE Funk é bom. Procure grooves de guitarra Funk no YouTube e veja que técnica contagiante. Red Hot Chilli Peppers usa o “funkeado” nas linhas de guitarra. Mas no caso é outro som que não tem absolutamente nada a ver com o citado anteriormente, apesar do mesmo nome.

Bem, sei que possivelmente muita gente pode odiar o que disse… Uns acham que quem toca guitarra tem que conhecer só aquilo, é uma pena… Eu penso um pouco diferente.

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PS: O que você acha de games como Guitar Hero e Rock band?

Eu acho que esses jogos com certeza são ótimos para mostrar a todas as pessoas o mundo do verdadeiro e bom Rock’n Roll que geralmente é mascarado pela mídia.

Jogos como esse satisfazem pessoas que por um motivo ou outro não tem paciência pra aprender a tocar algum instrumento. Eles realmente proporcionam uma ótima sensação de que você realmente está tocando aquela música que tanto curte, principalmente no Rock Band que temos a guitarra tamanho família. Se aproxima mais da realidade.

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PS: Eles podem influenciar alguém a se interessar pela música ou são só jogos?

Certamente esses jogos podem influenciar alguém a comprar algum instrumento, mesmo que mais tarde descubra que talvez seja apenas fogo de palha. Mas creio também que esse jogo pode ser a porta pra vários músicos renomados que hoje ainda são crianças. Sem contar também na influência no mercado da música, já que muitos começam a procurar material de algumas bandas após ter tido seu primeiro contato nos games, mas aí já são outros quinhentos…

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PS: O que você acha da suposta participação de Michael Jackson na criação das músicas de Sonic 3?

Suposta?!Como não tenho provas sou obrigado a dizer “suposta” também… Mas cara… Aquilo deixou todo mundo pasmo!

Eu acho que casos desse tipo podem ser homenagens a um artista admirado pelo compositor, ou até mesmo ações propositais para que a trilha sonora renda comentários e atenções maiores (sim… fui longe, rsrsrs, mas é uma hipótese também, né…), ou são simplesmente formas do artista inserir em suas obras algo de que particularmente goste, acreditando que ninguém vai perceber ou talvez nem esquentando muito a cabeça com o que vai acontecer.

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PS: Mas você acha mesmo que essas supostas “homenagens” seriam uma forma de plágio, ou simples coincidência?

Creio que esses lances das semelhanças musicais soam como os Easter Eggs e algumas outras coisas escondidas que colocam nos games apenas por diversão ou pra registrar alguma experiência ou gosto pessoal, passando-o adiante. Bem essa é apenas a minha opinião… Né?

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PS: Juntando todas as visualizações de seu canal no Youtube, dá mais de 50000 visitas, com 196 inscritos. Na minha opinião, esse é um feedback mais do que positivo dos seus covers. Como você encara isso?

Cara, eu acho isso muito legal. Meu maior objetivo ali é resgatar a infância/adolescência gamer das pessoas que curtem o mesmo que eu e homenagear e propagar ainda mais a música dos ótimos compositores de nossa geração VG. É muito gratificante, muito mesmo! A boa receptividade te impulsiona a querer fazer mais e mais trabalhos.

Vídeo mais visto no Youtube do Bruno


PS:Qual a trilha sonora voce achou que deu mais trabalho pra aprender a tocar?

As músicas mais enjoadas de se tocar até agora foram a da primeira fase do Kenseiden e a da primeira fase do Alex Kidd in Shinobi World, requerem bastante treino e como geralmente quero gravar um monte de músicas diferentes, não tenho paciência pra ficar encarando somente uma.  Pensar assim não é muito legal, mas acontece né… Ih cara, tem muita música casca-grossa pra se aprender, sei que ainda tem muito páreo duro pra se detonar…

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PS:Existem alguns vídeos no Youtube em que você toca com mais de uma pessoa. Você as conhece na vida real?

Essas pessoas eu conheci atravéz da própria internet. No meu canal do YouTube deixei um convite chamando pessoas que quisessem fazer um time comigo em diversos vídeos.

Conheci o Shadow atravéz desse convite. Cara maneiro, dividiu as guitarras comigo em alguns vídeos. O Murilord eu conheci na comunidade do MegaDriver; o Murilo é um  cara gente fina, me deu uma moral no baixo em alguns outros vídeos. O mais curioso foi o baterista, VGMDrummer. Se não me engano o kra é Inglês, conheci graças ao próprio YouTube.

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PS: Como foram feitos esses vídeos? Você pretende criar mais vídeos em parceria com outros músicos?

O processo de composição dos vídeos é bem simples. Uso uma MIDI da música em questão para servir como base para que os outros músicos toquem. Ela então é usada como referência de velocidade, funciona basicamente como um metrônomo.

Tudo o que o músico tem que fazer é tocar a música no seu instrumento enquanto ouve a MIDI, porém na gravação do áudio obviamente só pode sair o instrumento que foi tocado, ou seja, nesse caso não é viável usar um microfone pra gravar o som de um amplificador, a não ser que a pessoa use HeadPhones (fones de ouvido) para ouvir a MIDI e o ambiente seja silencioso.

Então, tendo em vista que todas as músicas foram tocadas usando a mesma MIDI como referência de tempo, logo sabemos que a gravação do vídeo de cada uma das performances foi tocado dentro do mesmo tempo, então é só sincronizá-los e fazer as demais tarefas, tudo isso no Sony Vegas.

Quanto às oportunidades… As portas estão abertas, o convite está de pé. Quem mais de coração curtir VG Music (sem frescuras, que curta jogos de 8, 16 bits!!) e quiser fazer uma participação em algum vídeo, tiver alguma sugestão, idéia, souber tocar alguma música de VG e quiser gravá-la em time é só realizar contato na minha conta do YouTube, belê?

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PS: Já existem bandas nacionais aclamadas que fazem covers de Game Music, como os Gameboys, 8-Bit Instrumental e MegaDriver. Você já os ouviu? Pegou inspiração em um deles?

Com certeza já ouvi todos os três citados. Excelentes músicos, ótimos trabalhos. Mas na verdade, só não digo que me inspirei neles porque (com exceção da banda MegaDriver) os conheci apenas depois de começar a fazer covers.

Quando comecei a fazer covers foi uma época que me despertou a curiosidade de pesquisar sobre o assunto, tanto no YouTube quanto no Orkut. Eu soube dos GameBoys atravéz de uma comunidade do Orkut sobre VGMusic, num tópico que eu mesmo criei para divulgação de obras de pessoas e bandas que fazem esse tipo de trabalho.

A galera do 8-bit Instrumental eu não vi muitos vídeos, mas os poucos que eu vi me agradaram bastante!

Os primeiros trabalhos de VGMusic expostos na internet que eu conheci foram os do MegaDriver. Um amigo meu que sabe que eu curto VGMusic me recomendou o endereço. Na época que eu conheci ainda era somente o site com algumas músicas e o Nino aparentemente ainda não tinha formado a banda. Baixei várias versões, pois adoro Heavy Metal. Na época eu ainda não tinha guitarra e ficava imaginando como seria se eu já tivesse uma hehehe.

Outro material interessante é o da galera do Violão de 8 bits. Gostei tanto da idéia que chego a pensar em gravar algumas músicas em versão acústica, pois acabo de comprar um violão Eletroacústico e amei a idéia de VGLuau rsrsrs.

Resumindo sobre as três bandas citadas: Eu adoro Heavy Metal, porém se for pra citar um exemplo de inspiração eu particularmente diria que minha maneira de tocar se corresponde mais à dos GameBoys, porque eles visam em manter a fidelidade na execução original das músicas e tocam um pouquinho mais à risca (na minha opinião). Gosto de remixes e versões também, mas as músicas que são fiéis às originais me chamam mais atenção por ativar melhor a nostalgia.

Quando estou calmo, escuto no Gameboys mode, quando estou agressivo escuto no MegaDriver mode! Hehehe

O que mais me espanta em todas as bandas citadas é o compromisso com que eles têm para com a música, seria excelente se todos os músicos que curtem e gravam VGM tivessem essa mesma força de vontade.

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PS: Na sua opinião, por que CDs com músicas de games são comuns no Japão mas mal existem por aqui? A indústria de mídia e entretenimento brasileira desclassifica os videogames e gamers?

No caso da mídia, na minha opinião ela só se preocupa em mostrar desastres alheios, futebol, modinha imposta por produtores ricassos à adolescentes e o Palácio do Planalto, não restando espaço pra outras coisas. Quando tem um programa de game são 5… no máximo 10 minutos, pois ninguém quer bancar.

No caso da evolução do entretenimento eletrônico no Brasil, esses malditos impostos empurrados goela abaixo de cada consumidor são o que definitivamente tanto afastam o investimento deles em nós. Teríamos muito mais produtos originais se não fosse a pirataria, e teríamos muito menos pirataria se não fossem os impostos nojentos. Como ninguém quer ceder primeiro, fica essa putaria.

Então nenhuma empresa acha viável se instalar oficialmente aqui no Brasil, tendo em vista que com todos os impostos cobrados aqui elas só teriam prejuízo lançando e não vendendo seus produtos por perder para a pirataria.

Seria mais fácil se o governo cedesse primeiro, pois eu (não apenas eu) com certeza pagaria 30 reais num jogo de X-Box 360 original com muito gosto ao pagar 10 reais num pirata. Mesmo o original sendo mais caro, ainda assim na minha opinião eu sairia na vantagem, pois teria um produto de confiança que não prejudica meu console e tem um preço acessível (mesmo sendo o triplo do outro).

Mas tem uma galera correndo atrás disso. Existe uma comunidade no Orkut que defende o Preço Justo para videogames e tem um político correndo atrás disso pra todos nós. Eles estão suando a camisa, cada um faz uma parte para divulgar o projeto. Se o projeto bombar e ganhar apoio suficiente, quem sabe não seja a primeira porta aberta pra que esse mercado seja valorizado aqui no nosso (salve salve) país?

Esse Brasil é muito complicado kra… Aqui, quem quer fazer algo tem que começar tudo sozinho. Tem muita gente boa aí capacitada a fazer games nacionais… Excelentes programadores, produtores musicais, designers e etc… Mas não há investimento, pois o sistema todo mundo já conhece…

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PS: Você participou de uma dublagem do game Castlevania SotNt. Fale um pouco sobre este projeto e o trabalho do grupo de Fandub Minsplik.

O Minsplik surgiu de uma forma muito curiosa. Estávamos conversando o Júnior (DevilRipper) e eu no Windows Live, comentando a respeito do nosso gosto por dublagens e afins. Admiramos vários títulos de filme e Anime que fizeram parte de nossa infância, que foi o que nos direcionou no interesse pela dublagem.

Foi então que após muita conversa e muitas imitações (sim, imitávamos vários personagens via F2 com o recurso de envio de voz do Plus!) decidimos dublar alguma coisa pra ver como ficaria. A idéia foi do Júnior, que providenciou o vídeo e escreveu os scripts. Daí gravamos alguns vídeos do Castlevania Symphony of The Night (que por coincidência é um dos meus games favoritos).

Desde então começamos a compartilhar essas experiências de dublagem pra galera, que por sua vez dava uns toques do que gostou ou do que achou estranho pra nos ajudar a buscar uma melhoria.

Após postarmos alguns vídeos, DevilRip deixou um convite em aberto e algumas pessoas foram se voluntariando a participar, porém dublar sem ter estúdio é difícil pra muita gente, pois muitos de nós ainda moram com os pais e há certo preconceito da parte de alguns deles (o que meu filho está fazendo sozinho gritando na frente de um microfone?!?) que não entendem ou não aceitam o que se passa. Além dos vizinhos que inibem a atuação de muitas pessoas que têm medo de fazer papel de doido.

No meu caso eu simplesmente não to nem aí, minha maior preocupação são dublagens com gritos (somente com gritos que não sejam palavras pronunciadas, como no caso de receber ou aplicar um golpe: Como por exemplo: “Aaahhhh!!!”) , aí sim não são coisas boas pra se fazer em casa e geram uma certa preocupação.

Mas resumindo tudo, tem sido uma ótima experiência. É muito gratificante só de assistir o que foi feito, mais gratificante ainda é compartilhar com outras pessoas esses trabalhos e saber que isso possui certo valor a outros fãs como nós. É o mesmo que sinto quando faço um cover de VGMusic.

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PS: Mas você acha mesmo que games com falas dubladas dariam certo no Brasil?

COM CERTEZA ABSOLUTA!! (agora fiquei até empolgado)

Temos um time totalmente capacitado pra fazer excelentes dublagens com os games. Quem jogou Max Payne dublado em português sabe o quanto é cativante curtir um game totalmente em PT-BR.

Fico imaginando como seria perfeito o Jack Bauer do jogo do 24 Horas fosse interpretado pelo nosso dublador Tatá Guarnieri. Ou até mesmo os games de filmes como O Poderoso Chefão (GodFather) se fossem interpretados por seus respectivos dubladores.

Só pra começar… Se pagassem a equipe Paulista da Álamo pra dublar os Games do Saint Seiya para PlayStation 2 naquela época (ou até hoje!!) com certeza atrairia MUITAS compras, principalmente da massa Otaku que é sempre fiel aos seus ídolos. Porém pra que isso fosse viável à desenvolvedora, os produtos originais deveriam estar com boa fluência no mercado nacional, o que nos faz voltar à questão anterior.

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PS: E o seu futuro? Você pretende seguir em frente como músico? Se sim, pretende trabalhar com Game Music?

Bem, eu até gostaria de atuar profissionalmente com VGM, mas não esquento muito a cabeça com isso, procuro sempre manter isso como um Hobby até porque as circunstâncias atuais ainda não me mostram que eu devo dar um passo adiante. Não mergulho de cabeça na música, pois já me frustrei bastante com isso – bandinhas que não saem da garagem… perda de tempo e etc.

Porém o futuro ninguém sabe né… Continuarei fazendo meus covers e continuarei fazendo alguns Jams com amigos que curtem o mesmo som. Se um dia surgir uma oportunidade que esteja ao meu alcance, com certeza a agarrarei. Trabalhar com VGMusic seria uma honra pra mim, pintando uma oportunidade séria eu certamente investiria em uma escola e me aprimoraria em teoria musical pra compor da maneira correta – no caso, falo das tais famosas, enjoadas e necessárias partituras.

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PS: E quais são seus projetos futuros para dominação mundial? Está trabalhando em alguma música?

Bem… tem alguns trabalhos de VGMusic original que compus pro FanGame “Castlevania Lost Tales” que não foram divulgadas e estão totalmente trancafiadas. O game infelizmente está encostado e agonizando no momento, espero que ele possa ser retomado, pois como integrante da Staff posso dizer aos fãs de Castlevania que é um excelente projeto.

Penso em disponibilizar pelo menos umas demos das músicas no Canal do YouTube, para que assim eu possa destruir Kacaroto e dominar o Planeta Terra!!! Mwahahahaha

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PS: Você joga algum game online hoje em dia, para que possamos derrotá-lo sem dor nem piedade?

Ahahaha, na verdade nenhum… Nenhum que seja originalmente suportado por rede ou internet.

Mas gosto de jogar uns jogos de SNES, Mega e Arcade via Kaillera. Principalmente Mortal Kombat (todos) e Street Fighter – todos A PARTIR do 2. Street Fighter 1 dá pra jogar de 2? Até hoje não sei!!! ‘Bora lá jogar? Heheh.

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PS: Uma última antes de permitir sua saída da prisão: SEGA ou NINTENDO?

Perguntinha difícil hein…

A SEGA fez mais parte da minha infância, mas fico com a Nintendo pela liderança constante em novos Hardwares, isso faz com que as diversas empresas tenham inúmeras idéias de games inovadores, e é claro, pela série Castlevania que já dá o ultimato! Então na questão custo/benefício fico com a Nintendo.

Mas se fosse pra escolher pelos personagens, ficaria com a SEGA, pois sou muito fã do Alex Kidd, do Sonic e do Shinobi.

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PS: Ou seja, ficou em cima do muro. Deixe uma mensagem para os leitores:

^^’ Então vamos desempatar! Por ser mais vantagem na prática, fico com a Nintendo! Galera, agradeço à todos os gamers hardcore que se expressam através de todo o tipo diversificado de arte e nos fazem lembrar dos ótimos momentos de diversão que tivemos em nossa infância. Também agradeço de coração a todos que estão seguindo minha conta no YouTube, um forte abraço a todos! Obrigado a vocês pela entrevista, foi um prazer compartilhar meu ponto de vista com vocês e todos os leitores do blog! Valeu! o/

 

Caso queira entrar em contato com o Bruno, ele tem um Twitter, seu blog e também, é claro, sua conta no Youtube. Espero que tenham gostado!

Jornalista de games, editor de vídeo e estudante de Audiovisual, escreve atualmente para a Revista OLD! Gamer. Além dos joguinhos, também dá pitacos sobre cinema, TV e tecnologia; sempre acreditando que a ironia é a melhor forma de sinceridade. Ouve Game Music e trilhas sonoras de filmes durante a maior parte do tempo, mas jura que é uma pessoa legal. Seguista, badernista e exorcista.

Twitter YouTube 

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Categories: entrevistas
  1. 28, setembro, 2010 em 05:28 | #1

    Olha só o Shinkou!! o/
    Ta famoso ein!

    • 00Agent
      28, setembro, 2010 em 05:29 | #2

      Esse foi o comentário mais rápido que já vi na minha vida! Parabéns Jejé!

      • Jejé
        28, setembro, 2010 em 07:35 | #3

        AHAHAHA, é que o post apareceu super rápido no meu Google Reader, e como vi que se tratava do Shinkou, vim logo comentar. Ele manda muito bem!

        • 2, outubro, 2010 em 15:23 | #4

          Olha o segredo da Jejé para acertar um Desafio Musical: Google Reader.

  2. 28, setembro, 2010 em 05:58 | #5

    Muito legal a história e gostei muito do repertório do Bruno, principalmente Kenseiden e Rise From Your Grave. Algumas pérolas estão esquecidas no Master System pela comunidade que produz versões de game music, como a primera fase de Kenseiden, os trechos adventure de SpellCaster, a música da segunda fase de Aztec Adventure e por aí vai……

    Até me identifiquei com ele em alguns momentos, mas isso é outra história 🙂 se o Bruno ver esse comentário, convido-o a visitar este link http://www.cosmiceffect.com.br/superconsole se ele tiver paciência de ler, talvez goste 🙂

    E parabéns ao Rafael, sempre atento à cena game music brasileira e trazendo pérolas pra gente conhecer.

  3. 28, setembro, 2010 em 10:24 | #6

    Realmente sou meio suspeito para falar haha, Shinkou e uma grande pessoa de valor e um verdadeiro amigo. Eximio guitarrista e um Otimo Fandublador, meu braço direito no Minsplik como co fundador, assim como meu melhor amigo Rafael. Seus covers sao verdadeiras obras unicas, pq nao sao meros covers. Eles carregam com ele a marca e a singularidade que o Bruno emprega em suas composiçoes. Não deixem de conferir e dar uma força para ele galera, é imperdivel, eu garanto!.

  4. 28, setembro, 2010 em 13:52 | #7

    Poxa, desde os tempos de fóruns como a Battlefield e a banda Dustfire que não encontro um gamer tão criativo e talentoso. Meus parabéns pelo projeto do Passagem Secreta, quanto a entrevista, e principalmente ao GuitarDreamer que é a causa dessa obra.

  5. 28, setembro, 2010 em 21:53 | #8

    Muito boa a entrevista, elaborada e organizada pelo Rafael e com uma pequena contribuição minha e do Flavio. Eu particularmente gosto da idéia de entrevistar pessoas talentosas mas que ainda não são, digamos, famosas ou muito conhecidas no meio gamer. Todos com talento acima da média deveriam ter esta chance. Não deixem de conferir os vídeos incorporados e a página do Bruno no Youtube, tem muita coisa legal lá.

    Aguardem futuras entrevistas no PS.

  6. 29, setembro, 2010 em 20:19 | #9

    Fala pessoal! Agradeço a todos por lerem e comentarem, valeu pelo apoio! Venho corrigir uma afirmação que fiz.

    Errata:

    "Mas tem uma galera correndo atrás disso. Existe uma comunidade no Orkut que defende o Preço Justo para videogames e tem um político correndo atrás disso pra todos nós."

    Fiz uma análise melhor de quem eu estava falando e não há nenhum político galera, desculpem o erro. Porém há sim um cara centrado e decidido correndo atrás desses interesses (um de nossos interesses).

    Obs: Eric, seu site é maneirasso, curti!

    Abraço galera!

  7. 30, setembro, 2010 em 08:41 | #10

    Gostei muito da entrevista e agradeço a oportunidade dada a esse cara aí!!!

    Depois de acompanhar de perto as intermináveis noites de gravação de vídeos rumo à perfeição (e isso é fato), é muito legal ver o reconhecimento dedicado a ele!

    Parabéns à galera desse canal, que proporcionou essa entrevista e ao Shinkou!!!
    Sou meio suspeita para falar, mas o cara toca muito!!!
    ^^

    • 00Agent
      30, setembro, 2010 em 09:05 | #11

      Hehe, você seria a… Namorada dele? Irmã? Prima? rs

      • Crishinny
        30, setembro, 2010 em 09:27 | #12

        HUAHUAHUAHUA, mandei o comentário no nick dele por engano..

        Sou irmã dele!
        😀

  8. Crishinny
    30, setembro, 2010 em 08:51 | #13

    Gostei muito da entrevista e agradeço a oportunidade dada a esse cara aí!!!

    Depois de acompanhar de perto as intermináveis noites de gravação de vídeos rumo à perfeição (e isso é fato), é muito legal ver o reconhecimento dedicado a ele!

    Parabéns à galera desse canal, que proporcionou essa entrevista e ao Shinkou!!!
    Sou meio suspeita para falar, mas o cara toca muito!!!
    ^^

    (Mandei o post no nick dele por descuido, hauhauhauhau)

  9. Flavio Master
    30, setembro, 2010 em 10:21 | #14

    "Teríamos muito mais produtos originais se não fosse a pirataria, e teríamos muito menos pirataria se não fossem os impostos nojentos. Como ninguém quer ceder primeiro, fica essa putaria".

    Muito bem citado!

    Bacana demais a entrevista do Bruno. Essas iniciativas musicais com games são muito interessantes, mas pena que a Video Game Music não é algo que (ainda) tenha achado lugar na nossa cultura a ponto de ser devidamente valorizada.

    Lá na comunidade de Master System temos o AndMarks, que também faz versões de Game Music (especialmente do Master System, é claro!). Ele tem a própria comunidade, mas são tantas boas versões que fizemos um topico dedicado a ele. Se o Bruno (ou mais alguém) quiser dar uma conferida, eis os links:

    Comunidade: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=599459

    Tópico na MS: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=39722&a

    Sucesso a você, Bruno, e todos os outros artistas que estão trabalhando para difundir a cultura gamer.

  10. 1, outubro, 2010 em 10:11 | #17

    Puxa vida, descobri esse cara no youtube tem um bom tempo, totalmente sem querer, procurando versões de músicas clássicas do Master System.

    Além de tocar bem ele sabe escolher um repertório muito bom, tem um ótimo gosto musical esse garoto.

    Parabéns pelo trampo e pela entrevista, já estou adicionando o blog nos meus parceiros!

    • 1, outubro, 2010 em 13:06 | #18

      Valeu pela parceria Cosmão! O Shugames já está na lista de parceiros do Passagem Secreta.

      Aproveito para dizer para o pessoal que usa sistema de banners, logo logo teremos os nossos disponíveis para futuras parcerias.

      Abraço!

  11. 24, novembro, 2010 em 12:07 | #19

    O Bruno merece toda elogios possiveis, ele manda muito bem mesmo,e foi uma pessoa muito atenciosa e prestativa quando sugeri a ele uma versão em parceria…e é muito gratificante ver que tem um pessoal que curti o nosso hobby,rrssss..obrigado a todos..

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