Fantasy Zone II DX (Arcade – 1987/2008)

Jogo – Fantasy Zone II DX

Gênero – Shooter

Sistema – Arcade (System 16c)/Playstation 2

Após o lançamento de Fantasy Zone para o Arcade e suas milhares de conversões para todos os consoles da época, a Sega decidiu dar continuação à saga de Opa-Opa. No entanto, a decisão da plataforma que abrigaria o jogo foi um tanto questionável: Fantasy Zone II: The Tears of Opa Opa foi lançado para o Master System, considerado um retrocesso técnico em relação à placa System 16, que abrigava grande parte dos jogos de Arcade da Sega na época. Apesar do jogo possuir um dos melhores gráficos para o console, nem de longe chegava a todo o potencial que poderia ter sido alcançado caso o jogo tivesse sido concebido originalmente para os fliperamas. Assim, apesar da continuação ter sido um sucesso, os fãs da série encararam FZ II como uma oportunidade perdida de uma continuação que fizesse jus a seu predecessor no quesito técnico.

 

Partindo dessa história, a Sega e a M2 – responsável pelas emulações de jogos clássicos para a coletânea Sega Ages, como Phantasy Star, Space Harrier, entre outros – decidiram produzir uma coletânea completa para a série Fantasy Zone como o 33º volume da série de clássicos para o Playstation 2, estabelecendo a produção de um remake para o jogo de Master System. No entanto, uma surpresa: ao invés de pegar o caminho mais fácil e programá-lo sob a engine do Playstation 2 – como foi feito de forma porca com a versão original de Fantasy Zone, como o 3º volume da mesma coleção – os responsáveis pelo projeto decidiram retornar 20 anos e perguntarem a si mesmos: E se Fantasy Zone II fosse concebido originalmente para o System 16?

 

O resultado é um deleite para os fãs, que não poderiam ter uma novidade melhor do que essa. O jogo foi produzido para uma versão da placa com um pouco mais de memória RAM – 512k – apelidada de “System 16c”, emulada no Playstation 2, sem menção alguma de que foi produzido nos tempos atuais.  Vale ressaltar que a produção começou bem antes de Megaman 9. Pegando vários elementos da versão de SMS e do FZ original do Arcade, com a licença de acrescentar novidades inspiradas pelos mesmos, o game reúne tudo que era melhor em um universo totalmente novo, numa nova história, e com novos inimigos.

História

Se passando 10 anos após o Fantasy Zone original, Opa-Opa ainda encontra-se atordoado por ter derrotado seu próprio pai, que desapareceu após a batalha. Diante de seus conflitos emocionais, há a suspeita de uma base estar sendo construída num dos planetas que fazem parte da Fantasy Zone. Opa-Opa imediatamente vai investigar.

Tão simples quanto à do primeiro jogo, porém possui mais desenvolvimento. No início de certas fases, surge um texto rápido retratando algumas das suspeitas de Opa-Opa em relação ao mistério da construção das bases inimigas dentro da Fantasy Zone.  Lembrando também que, no modo de demonstração do game, há algumas imagens para ilustrar a complexidade de trama.

Jogabilidade

É aqui que se percebe como, de fato, ocorreu uma evolução, ainda assim preservando o conceito do original. Opa-Opa ainda tem que destruir os geradores de energia, para assim aparecer o chefe de fase; no entanto, o controle do personagem está bem mais firme, evitando esbarrões com os inimigos ou elementos do cenário. É meio estranho no início, mas dá para se acostumar rapidamente.

No jogo de Master System, a fase se dividia em três mundos diferentes, que possuíam seus próprios geradores de inimigos. Alguns desses, assim que destruídos, abriam um portal escrito “Warp”, aonde se poderia viajar de um mundo para outro. Um grande problema desse sistema está na facilidade de se perder durante o jogo, já que não há radar algum para guiar o personagem, o que automaticamente leva ao tédio.

Warp Zone da 1ª fase de FZ II DX...

Para resolver esse problema ao mesmo tempo que lida com a dificuldade excessiva de seu predecessor, o remake estabelece que cada fase possui dois mundos: O Bright Side e o Dark Side. O Bright, aonde o jogador inicia, é o nível mais fácil de jogo, aonde os próprios tiros inimigos não atingem o personagem com facilidade – não existe mais aquela coisa de “encostar um pixel e já era”, o Shop sempre está disponível, além  dos chefes serem bem fracos.

No Dark Side, os Shops são escondidos em elementos do cenário, os inimigos surgem em maior número, e os chefes tem formas de ataque adicionais. Como vantagem, o lado negro da fase também é o mais recompensador, já que as moedas valem muito mais, o que ajuda cas0 alguns itens já estejam caros – e acredite, para ter o melhor final, você vai precisar de dinheiro! –  Caso o jogador casual queira apenas terminar o game, basta apenas jogar todas as fases no Bright Side.  Para o fã da série que quer aproveitar ao máximo do desafio, basta apenas jogar tudo no Dark Side, aonde o desafio fica equivalente ao primeiro Fantasy Zone.

 

De qualquer forma, o jogo possui três finais, e o melhor deles só é alcançado terminando todos os estágios no Dark Side e cumprindo um certo requisito no chefe final – que é uma versão sombria do próprio Opa-Opa. Isso aumenta o “fator replay” consideravelmente, já que, mesmo após terminado o jogo, há um novo desafio pela frente.

 

Outro adicional é o Engine Shop, que aparece caso Opa-Opa morra numa batalha contra o chefe de fase. Assim, não há uma grande desvantagem, já que, no primeiro FZ, todos os itens eram perdidos, assim como o motor especial comprado no shop, prejudicando e muito o jogador contra um chefe mais difícil.

Falando em Shop, há novos itens, e uma novidade interessante: agora, as bombas especiais, como a Fire Bomb e a de 10-ton, agora tem munição ilimitada, porém tem um período de carregamento necessário para atirá-las, segurando o botão 2. A mudança não somente adiciona uma nova estratégia ao jogo, como soluciona a questão do jogo original de impedir de usar as bombinhas ao se adquirir uma bomba de alto porte.

Com esses ajustes feitos pela M2 ao remake, parecem solucionados de forma definitiva qualquer problema que pudesse atrapalhar a diversão tanto do Fantasy Zone para Arcade quanto para sua continuação no Master System. Um excelente trabalho, que uniu o que ambos os jogos tinham de melhor proporcionando uma experiência definitiva.

Gráficos

O design de jogo tem como inspiração a versão original para Master System, tomando várias liberdades para tornar os sprites e cenários maiores, mais bonitos e detalhados,  fazendo jus a como uma verdadeira continuação de Fantasy Zone deveria ser. Não é difícil se perder em meio a tanta coisa na tela ao mesmo tempo.

Em alguns momentos de ação frenética, devido à todos esses detalhes, ocasionalmente surge um slowdown. Porém, acredito que isto seja resultado do processamento limitado do Playstation 2 para emular o System 16c  do que o próprio em questão.

 

 

Som

Outro departamento onde o jogo brilha. As músicas foram compostas por Manabu Namiki, conhecido por produzir a trilha sonora de vários shooters, como Mushihimesama e DonDonPachi. E o trabalho é fenomenal: aqui, foram mescladas as músicas de ambos os games,  proporcionando uma experiência semelhante ao que seria “Tokuhiko Uwabo interpretando Hiroshi Kawaguchi“, e ainda acrescentando ótimas melodias originais no processo!

Ouçam por exemplo, a música da terceira fase do jogo, que utiliza a base da música HOT SNOW, do primeiro Fantasy Zone, e acrescenta uma melodia nova.

FROZEN PARTY [RD.3]

HOT SNOW [RD.5] (Fantasy Zone original)

E a música da segunda fase do jogo, adaptada da música original composta por Bo para o FZ II de Master System

OPA-MARIMBA [RD. 2]

Ainda houve espaço criativo para referências a outras trilhas da Sega – como a trilha do obscuro arcade SDI – e as clássicas músicas escondidas que tocam na tela para inserir as iniciais, dando continuidade à tradição de alguns jogos da empresa como Daytona Usa, que também possuem essa característica

Como novidade, nesta versão tem a opção SEGASOUND TREASURE BOX. Na tela de seleção de jogo, basta apenas segurar para a direita por alguns segundos, que a opção aparece para ser escolhida, consistindo num completíssimo Sound-test, para todos os jogos presentes na coletânea, com direito até a visualização gráfica dos canais de som emulados! Detalhe é que outras coletâneas da Sega Ages também estão presentes neste Sound Test; para habilitá-las, basta ter o save referente ao jogo no Memory Card. Os jogos suportados são:

SEGA AGES 2500 Vol.20: Space Harrier II – Space Harrier Complete Collection
SEGA AGES 2500 Vol.21: SDI & Quartet?- SEGA System 16 Collection
SEGA AGES 2500 Vol.25: GunStar Heroes – Treasurebox
SEGA AGES 2500 Vol.28: Tetris Collection
SEGA AGES 2500 Vol.29: Monster World Complete Collection
SEGA AGES 2500 Vol.30: Galaxy Force II Special Extend Edition
SEGA AGES 2500 Vol.32: Phantasy Star Complete Collection


Fantasy Zone II DX com certeza é um excelente trabalho, destinado especialmente ao nicho cada vez mais crescente de retrogamers. Vale a pena pegar o Fantasy Zone Complete Collection, 33º volume da coletânea Sega Ages para PS2, apenas por este jogo. Finalmente a Sega consegue agradar os fãs de uma franquia de sucesso no passado – diferente da série Sonic;  o curioso é que, para isso, não foi necessário modernizar ou reinventar nada, muito pelo contrário – apenas incrementar em busca do aperfeiçoamento de algo já clássico. Vale a pena voltar no tempo e curtir essa jóia para o System 16,  mesmo que de forma ilusória.

 

Nota: Para quem não tem o console para jogar, a Sega liberou, antes do lançamento, uma versão demo para Windows PC, com período de 30 dias.

Fantasy Zone II DX Trial Demo

 

  1. 16, fevereiro, 2010 em 05:52 | #1

    Que coisa interessante… eu fiquei mesmo um pouco desapontado com o FZII de Master System. Achei os gráficos fantásticos, mas ficou fácil de se perder mesmo. Esse remake parece ótimo, tenho que experimentar qualquer dia desses.

  2. 16, fevereiro, 2010 em 07:37 | #2

    Taí uma série que eu não conheço como jogador, mas já li bastante sobre ela. Aliás, esta fase minha casa-de-ferreiro-espeto-de-pau vai passar com o meu Dingoo, em Abril. Espero começar a descobrir dicas, segredos e rumores de games de sistemas como Master System, Arcade e PC-Engine.

    Esse review ficou enorme, bem completo mesmo! E é impressão minha ou o Gagá tem um saudosismo especial por essa série?

    Ah propósito, parabéns pelo aniversário Rafael!

    • 00Agent
      16, fevereiro, 2010 em 08:23 | #3

      É… Preferi fazer algo aprofundado porque não há muita informação sobre esse jogo na Internet, e acho que todos deveriam jogá-lo, ainda mais pela iniciativa da M2.

      Engraçado que nunca joguei Fantasy Zone na infância/adolescência… Descobri essa série fantástica recentemente.

      E obrigado pelos parabéns ;D

    • 16, fevereiro, 2010 em 10:35 | #4

      Na verdade, eu também só joguei Fantasy Zone há pouco tempo, mas gostei muito! Lembro de ter visto o jogo no folheto de jogos do Master System, mas na época acabei não tendo a oportunidade de jogar.

      O primeiro jogo é muito legal, o segundo nem tanto, mas parece que esse remake melhora bastante as coisas.

  3. 16, fevereiro, 2010 em 12:15 | #5

    Eu aluguei várias o Fantasy Zone e semrpe ficava perdido no que fazer. Afinal, eu atirava nos bichões da primeira fase e eles não morriam!
    Depois só que fuid escbrir que eles morriam sim, mas com muitos tiros. Essa continuação deve ser bem legal!

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