Metal Gear Solid Peacewalker Original Soundtrack – Review

Considerada uma das principais referências da Game Music, as trilhas de Metal Gear sempre tiveram como intenção amplificar a natureza cinematográfica do jogo como um todo;  não é a toa que, a partir do segundo episódio da série, o compositor Hollywoodiano Harry Gregson-Williams foi chamado para arranjar a música tema da saga e também de algumas outras faixas. Em resumo, a trilha sonora da série MGS é totalmente inspirada no estilo de Hans Zimmer, compositor responsável pela partitura de filmes de ação memoráveis, como A Rocha, O Pacificador, Piratas do Caribe, Batman Begins, dentre outros filmes. E assim, como nessas películas, a música de Metal Gear Solid tem como estilo proeminente o uso de orquestra ao máximo, incorporando vozes em coral e percussão eletrônica, e ainda adicionando elementos étinicos da locação. Ou seja, é algo bombástico, de proporções épicas, e ainda assim emocionante, que condiz perfeitamente com a experiência que Hideo Kojima pretende passar ao jogador.

Se, em alguns momentos pode soar genérico – uma vez que tem sido uma tendência em Hollywood copiar esse estilo de compor trilhas para filmes de ação – em outros, pode soar incrível. Apesar do exagero de elementos eletrônicos na música de Metal Gear Solid 2 – o que atrapalhou na audição da orquestra – os músicos da Konami acertaram no episódio seguinte, fazendo de MGS 3 uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi. Grande parte desse sucesso está no talento de Norihiko Hibino, que incorporou perfeitamente o estilo e os temas de Harry Gregson-Williams em toda a trilha sonora, tornando o trabalho muito mais coeso. O quarto episódio teve poucos temas que me agradaram, dos quais destaco apenas os mais lentos e melódicos, como Old Snake e o Love Theme. O resto pareceu um pouco genérico, apesar de ser uma boa pedida.

Mas, sempre quando sai uma trilha nova de algum MGS, minhas expectativas de ouvir algo ótimo sempre são as mais altas possíveis; qual não foi minha surpresa ao saber que Gregson-Williams não participaria, e nem mesmo Hibino! De qualquer forma, é aguardar o que está por vir, e conferir.

Canção Tema

Lançado no dia 07 de abril, no Japão, o single contendo a música tema de MGSPW trouxe uma idéia do que esperar de toda a trilha incidental. O tema principal, chamado Heaven´s Divide, é cantado por Donna Burke, voz conhecida no Japão por seus diversos trabalhos, como narração de diversos documentários da NHK (Canal de televisão do governo japonês, e que tem audiência);  sua discografia, cujas músicas são aproveitadas em diversos animes e jogos, como algumas músicas de Final Fantasy, Outrun 2, etc; pela própria dublagem dos games, como Shenmue e Silent Hill; e ainda por ser a voz-guia de diversos sistemas de transporte público japonês, como aeroportos e trens-bala. A música, composta e produzida por Akihiro Honda (Zone of The Enders, Metal Gear Solid 4) começa calma, até explodir em algo épico, e muito bonito.

Ouça no vídeo. A letra está logo abaixo

Petals of white
Cover fields flowing in grieving taers
And  all the hearts once new,old and shattered now
Love can kill,love will  die
Give me wings to fly
Fleeing this world so cold
I just  wonder why
 
Cold as the dark
Now my words,are frosted with  every breath
Still the hate burns wild,growing inside this heart
When  the wind changes course when the star align
I will reach out to you  and leave this all behind
When heavens divide

When heavens  divide 
I will see the choices within my hands
How can we ever  protect and fight with our tiny souls
Let me shine like the sun  through the doubts and fear
Do you feel the storm approach as the end  draws near

When heavens divide
Time will come to softly lay  me down
Then I can see a face that I long to see
And for you,only  you I would give anything
Leaving a trace for love to find a way

When  heavens divide

I will dive into the fire
Spilling the blood  of my desire
The very last time
My name scorched into the sky

When heavens divide

And for you,only you I would give  anything
Leaving a trace for love to find a way

When heavens  divide

Outra música presente é o tema de Paz Ortega, de título Koi no Yokushiryoku, e traduzido aqui como Love Deterrence. O tema é cantado por Nana Mizuki, outra cantora e dubladora faz-de-tudo, deu voz à personagem na versão japonesa.

Particularmente achei o tema bem fraquinho, bem estilo final de anime. Se bobear, deve sair no próximo Dance Dance Revolution. Confira o clipe da canção:

Trilha instrumental

O álbum inicia com Metal Gear Solid Peace Walker Theme, uma composição totalmente original. Aparentemente, é pouco provável que veremos uma reprise da música do primeiro Metal Gear Solid, já que esta supostamente foi plagiada de um compositor russo. O tema Metal Gear Saga, do terceiro e quarto episódios da série, também foi omitido, já que é uma composição de Harry Gregson Williams. Por isso, Akihiro Honda ficou com a tarefa de produzir um tema único para o game, que, apesar de estar longe de ser tão memorável quanto os temas acima citados, ainda assim cumpre seu papel de representar Big Boss e sua missão “heróica”, lembrando um pouco as notas do tema composto por Tappy. A partir dessa introdução, percebe-se que as intenções do álbum são de reproduzir uma experiência bombástica.

Depois de Heaven´s Divide, a trilha procura alternar entre músicas calmas, faixas estilo stealth (com uso de percussão, num estilo bem ambiente) e temas de ação, proeminentes no álbum. Dos compositores envolvidos, nenhum deles possui grande notoriedade, além das música de episódios anteriores da série Metal Gear; porém, fazem um trabalho muito competente. Grande parte das composições é creditada a Kazuma Jinnouchi, que soube ser bastante versátil e eficiente, principalmente nos temas de ação; destacando Tank Corps. Norihiko Hibino participou com apenas uma faixa, que é a Little Brother, uma faixa que dura por nove minutos, calma e que termina com uma versão instrumental de Heaven´s Divide.

Infelizmente, de todas as músicas em geral, há pouca variedade, levando o ouvinte a cansar-se facilmente de tantas batidas e ritmos repetidos, ou com poucas variações. Não é uma trilha que se sustenta por si mesma; percebe-se claramente que a música funciona muito mais acompanhando o jogo do que apenas ouvindo. Porém, em certas canções, há uma surpresa ou outra, de algo que realmente agrada aos ouvidos. Mas, no geral, não espere por tanta variedade melódica, já que o ritmo conta mais para impulsionar o jogador. Dentre as surpresas, destaco Peacewalker (cuja presença da flauta lembra bastante MGS 3), PUPA e Boot Sequence

As faixas de suspense são um pouco escassas, mas muito boas, equilibrando tanto a parte eletrônica quanto orquestrada. Vale a pena ouvir Facility e Hide-out

Para fechar com chave de ouro, há Zero Allies, a faixa incidental derradeira, com uma ótima reprise do tema principal do jogo, que com certeza nos faz imaginar a discussão básica dos enredos de Metal Gear, assim como seus personagens.

Em resumo, a trilha sonora de Metal Gear Solid Peacewalker não desaponta. Apesar de algumas faixas soarem repetitivas ou genéricas demais, tem muita coisa boa escondida em várias faixas, além de possuir instrumentação do mais alto nível, capturando o estilo cinematográfico intencionado por Hideo Kojima. Com certeza deixará muito feliz os apreciadores músicas de ação orquestradas, ainda mais aqueles que admiram o trabalho de Hans Zimmer, que inspirou tudo isso.


  1. 17, abril, 2010 em 16:57 | #1

    "Infelizmente, de todos as músicas em geral, há pouca variedade, levando o ouvinte a cansar-se facilmente de tantas batidas e ritmos repetidos, ou com poucas variações. Não é uma trilha que se sustenta por si mesma; percebe-se claramente que a música funciona muito mais acompanhando o jogo do que apenas ouvindo. Porém, em certas canções, há uma surpresa ou outra, de algo que realmente agrada aos ouvidos. "

    Resumiu perfeitamente! Ouvi esses dias o álbum e, de maneira geral, concordei com os seus comentários. Aliás, não sabia que você curtia as trilhas da série.

    Lamento mais uma vez, como no MGS4, que a participação do Norihiko Hibino tenha sido tão pequena, porque acho que o mérito das músicas do MGS2 e 3 é muito mais dele do que do Harry Gregson-Williams.

    A maior surpresa para mim foi o envolvimento do Jeremy Soule em uma faixa. Não é nada de mais a composição, mas nunca esperaria por isso. A minha preferida é a "Heavens Divide" mesmo, que mantém o alto padrão de músicas cantadas da série, o que não é fácil quando se tem canções do nível de "The Best Is Yet to Come", "Snake Eater" e "Calling To The Night".

    • 00Agent
      17, abril, 2010 em 18:43 | #2

      Curto bastante as trilhas da saga, desde o primeiro MGS, e concordo contigo quando acho que deveriam dar maior crédito ao Hibino, principalmente em relação ao terceiro jogo.

      Eu gosto muito da Donna Burke, só porque ela havia cantando aquela Life's a Bore, do Outrun 2, e acho que é uma das razões de apreciar a Heaven's Divide. Acho que a ideia foi, novamente, fazer algo semelhante a um Bond Theme. Comparando com as anteriores, ainda acho a "Calling to The Night" a melhor!

      E valeu por comentar aqui, é uma honra!

  2. 17, abril, 2010 em 22:27 | #3

    Nem vou me atrever a fazer comentários técnicos aqui porquê, apesar de gostar muito de game music, não sou um especialista nesta área musical como o Rafael e o Alexei.

    E também não conheço os temas dos Metal Gears posteriores ao primeiro do Psx. Pelo menos este tem grandes músicas, muito intensas e às vezes ambientais na medida certa.

    Ótimos comentários Rafael!

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