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Passagem Secreta para um Universo Alternativo – E se… A Microsoft tivesse comprado a Sega?

Recentemente o Marcos mandou lá no facebook uma pergunta: Como seria se a Microsoft comprasse a Sega? Claro, quem nunca pensou nisso, mas o que eu achei interessante é que a pergunta foi fundamentada não em especulações, mas na fala de um ex-executivo da empresa do tio Bill, que disse recentemente que sim, de fato a fabricante do “Janelas” chegou mesmo a cogitar fortemente a possibilidade de comprar a empresa japonesa e transformá-la na sua subsidiária de videogames.

sega-by-microsoft1

Infelizmente, ou felizmente, vai saber, não rolou, mas… e se tivesse dado esquema? De volta às realidades paralelas, pessoal, vamos ver como poderia ser se hoje tivéssemos SEGA by Microsoft.

Como Foi

A parceria Sega / Microsoft começou com o projeto Katana, que viríamos a conhecer como Dreamcast. Tentando se recuperar da imagem ruim que o Sega Saturn deixou nas desenvolvedoras, que reclamavam do sistema complicado de programação para o console, a Sega fez de tudo para que o Katana tivesse um sistema de programação o mais simples possível, inclusive que os videogames da concorrência vigente, Nintendo 64 e Playstation. E o qual o sistema mais fácil para se programar do que o bom e velho Windows?

DreamcastMS

Sim, é o Windows no DC!

O projeto audacioso e aparentemente promissor chamou a atenção do poderosão da Microsoft, nada menos que Bill Gates, que decidiu se tornar parceiro da fabricante do console, afinal, um sujeito suficientemente sacana esperto sagaz como ele já havia notado que o mercado de consoles poderia ser muito lucrativo. Assim, o pacote de desenvolvimento de jogos que as softhouses recebiam tinha uma opção de programação no sistema Windows CE, versão simplificada usada na época nos portáteis e palmtops.

A arrancada do Dreamcast se mostrou impressionante, pois o hardware era excelente, a lista de jogos de entrada era sensacional, as vendas no lançamento foram impressionantes e tudo apontava para um videogame que se tornaria o mais vendido em questão de semanas. Mas uma série de eventos (dos quais já falamos no último artigo dessa seção) levou o Dreamcast a uma precoce derrocada, pondo fim a um dos videogames mais completos, impressionantes e queridos já lançado, jogado cedo no limbo do colecionismo.

joachim kempin

Joachim Kempin, ex-VP de vendas da Microsoft

Isso a gente já sabia. Mas no último dia 08 de Fevereiro, um ex-executivo da Pequenomole resolveu jogar no ventilador uma notícia que, se publicada na época, seria bombástica: A Microsoft pensou seriamente em comprar a Sega e torna-la sua divisão de videogames. Joachim Kempin, Vice-Presidente Sênior do departamento de vendas da empresa entre 1983 e 2002, afirmou categoricamente que Gates estava inicialmente disposto a investir nessa transação. Mas um velhaco como ele observou que a Sega, embora uma empresa tradicional e querida entre os gamers, tinha problemas sérios na área de marketing, desenvolvimento de produto e financeira. Organizar a casa levaria tempo, do qual, para Bill, eles não dispunham se quisessem enfrentar as duas grandes do mercado naquela ocasião, Nintendo e Sony.

Segundo Kempin, “Havia três empresas [mais fortes] na ocasião, ela [Sony], SEGA e Nintendo. Não chegamos a apresentar uma proposta formal ou algo assim, e nunca se concretizou, mas estávamos dispostos a licenciar para eles o que eles chamam de Windows CE, o irmão mais novo do Windows, para rodar no sistema deles [Dreamcast] e fazer sua plataforma neste programa. Mas para Bill [Gates] isso não era suficiente, ele não achava que a Sega tinha MUQUE [(acredite, é isso mesmo que ele disse)] suficiente para, eventualmente, fazer frente à Sony, por isso fizemos nosso próprio [console], o Xbox”.

Em outras palavras, Bill, que pode ser qualquer coisa mas não é burro, entendeu que a Microsoft era uma empresa muito melhor estruturada para desenvolver e manter um novo produto do que a combalida Sega, que, embora tivesse experiência e tradição no mercado, não tinha outro caminho a não ser encerrar sua produção de consoles, sem credibilidade de investidores e abarrotada de dívidas. Assim, em 15 de novembro de 2001, era lançada a primeira versão do Xbox, enquanto cerca de 5 meses depois a Sega encerraria de vez o Dreamcast, em março de 2002, quando deixou de oferecer qualquer suporte técnico ao aparelho. É cruel, mas é óbvio que foi um acerto, comprovado pelos números, onde o Xbox vendeu cerca de 24 milhões, mais que o dobro que as cerca de 10 milhões de unidades do DC.

Mas digamos que as Janelas se abrissem em outra direção…

E se rolasse um Sega Box?

SegaBox

Seria sensacional! E você, o que acha?

Digamos que Bill Gates fosse um gamer inverterado. Ok, pode ser que, se fosse assim, ele não tivesse chegado onde chegou, mas se fosse assim teria uma visão mais passional a respeito da Sega, que é amada de paixão e tem games com um valor sentimental absurdo para essas pessoas, e com certeza não deixaria a chance escapar.

Aliando isso a um absurdo investimento gerencial, o Dreamcast poderia ganhar sobrevida, com investimento massivo na plataforma Windows CE. Com as equipes combinadas na produção de jogos próprios, o DC certamente receberia games que só surgiram no Xbox, como a série Halo.

O novo videogame (Dreamcast 2? Não, vamos chama-lo aqui de Sega Box, ok?) provavelmente já teria um desenvolvimento tecnológico mais avançado do que o Xbox teve, já que o Dreamcast poderia rivalizar com o Playstation 2, de forma que o Sega Box já seria um videogame de geração superior, não um rival do PS2, mas sim um equivalente mais próximo ao Xbox 360, trazendo toda tecnologia de ponta da época, a exemplo do Dreamcast.

Segamicro1

“Vem cá, minha nêga!”

Algo muito legal é que, mesmo sendo uma subsidiária, ainda teríamos a legendária Sega na produção de consoles,  para o frenesi dos gamers que acompanharam a acirrada guerra dos 16 bits e ficaram chocados com o triste fim da Sega. A disputa se transporia para a nova geração e todos nós acompanharíamos o prolongamento da briga de camarote. Uhuuuu!

Mas há um porém, uma terceira linha do tempo aqui, onde o futuro poderia ser terrível. Se a Microsoft, que, agindo no impulso de seu presidente, comprasse a Sega mas não conseguisse sanar todos os problemas técnicos, financeiros e de gestão, poderia acontecer com o Sega Box um desastre tão grande quanto foi com o Dreamcast, mas dessa vez atingindo Microsoft e Sega, podendo até inviabilizar a produção de videogames pela Microsoft, levando à não existência de um Xbox, quiçá de um Xbox 360. Medonho…

De volta à realidade

Steve Ballmer

Steve Ballmer. Segundo Kempin, um aparecido trapaceiro exibicionista do c…

Bill Gates teve segacidade, digo, sagacidade para visualizar a melhor decisão naquele momento. Prova disso é que o Xbox se deu muito bem, obrigado, e seu sucessor Xbox 360 se saiu melhor ainda, sendo hoje um dos melhores e mais vendidos consoles do mercado, aclamado por gamers hardcore e, agora com o Kinetic, também os casuais, fora o fato de brigar pau a pau com a Sony pela liderança de mercado. A guerra da 7ª geração dos videogames conta com outros exércitos.

Isso não foi o fim da parceria, pois o projeto Xbox contou com a presença massiva da Sega como principal softhouse, desenvolvendo jogos logo no lançamento do videogame. E esta parceria segue firme até hoje. A Sega largou de mão em definitivo a produção de consoles, conseguiu sanear seu departamento financeiro e se manteve como softhouse e Publisher de respeito, produzindo jogos principalmente para o Xbox mas também para outras plataformas, com boa presença de mercado e sucesso, muito embora isso não tenha sido assim tão bom para um tal de Sonic. Conhece?

Sobre as afirmações de Kempin, se é verdade ou se ele só quis fazer um burburinho, o que não parece muito provável, quase aconteceu. Digo isso porque parece que está prestes a lançar um livro sobre o tempo que passou na Microsoft e esse tipo de afirmação, no mínimo, atrai as atenções, mas é conhecida sua birra com Steve Ballmer, o atual CEO da empresa, a quem Kempin dá a entender que considera antiquado, poser, despreparado, carrasco e… ah, que droga, um grande filho da p*ta! A saída de Kempin da MS foi bem próxima da promoção de Ballmer a CEO, logo, é plenamente possível que os dois não se bicavam. Não que eu seja a favor das fofocas, mas nesse caso, que bom que eles não eram muito amigos, pois só assim pra lavação de roupa vir a público e alguns antigos segredos serem revelados. E se tem a ver com videogames, melhor pra nós!

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[Agradecimento ao Marcos e ao Rafael, que me ajudaram a colher fofoc… digo, material de pesquisa!]

Fontes (declarações de Kempin e algumas imagens):

http://www.ign.com/articles/2013/02/08/why-did-microsofts-acquisition-of-sega-fall-through

http://www.dealspwn.com/report-bill-gates-scuppered-microsofts-sega-buyout-128908

http://www.joystiq.com/2013/02/08/why-bill-gates-said-no-to-buying-sega-according-to-former-ms-ex/

 

 

Flavio Master

Retrogamer assumido, técnico em eletrônica, leitor de livros e quadrinhos, empreendedor individual, eventual colecionador de videogames e amante da cultura gamer em geral. Mas apanho um monte pra usar um tablet…

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  1. 12, março, 2013 em 11:53 | #1

    acho que o suposto SEGA BOX (kkk) teria evoluído pra um hardware mais multimídia, puxando a sardinha pro lado do entretenimento familiar que a Microsoft prioriza. Teríamos controles e ferramentas interativas com maior precisão, novas plataformas de 3D, outros gêneros de games, e quem sabe alguma integração com outros produtos da microsoft.

    ótima matéria, continuem assim!

    • Flavio Master
      13, março, 2013 em 01:23 | #2

      Não sei, acho que a empresa do "entretenimento familiar" hoje é a Nintendo. Tenho um Wii e posso dizer isso de carteirinha.

      Quanto ao restante, sim, penso a mesma coisa. A Microsoft sabe cada passo de evolução a dar, diferente da Sega, que sempre apostou na tecnologia de ponta antes da hora.

  2. Fanchar
    12, março, 2013 em 12:19 | #3

    Eu sei que não tem nada a ver com o post, mas eu mandei um e-mail pra vocês sobre um artigo que eu queria fazer. 'Cês já leram?

    • 12, março, 2013 em 12:57 | #4

      Eu olhei lá no nosso webmail e vi que você enviu ontem o e-mail. Segunda-feira quase não tenho tempo de entrar na Internet, só hoje pude ver.

      Mas já está respondido, dá uma olhada lá!

      Abraço.

  3. 18, março, 2013 em 22:31 | #5

    Boa matéria. Eu não entendo nada de administração, mas até hoje não entendi bem o entrevero Sega/MS… acho que teriam herdado um nome consolidado entre o público (independente da lama financeira) pra lançar a plataforma deles, o XBox poderia ter um "selo Sega by Microsoft" ou algo assim, teria até mais alcance…

  4. 11, maio, 2013 em 08:37 | #6

    Em 2011 eu escrevi sobre isso http://blablagames.net/?p=1203

    Pra mim, é claro que a "Microsoft Consoles" só existe porque "pegou" o Know-How da Sega.

  5. 23, junho, 2013 em 06:05 | #7

    E se a Apple comprasse a Nintendo

  6. helisonbsb
    16, novembro, 2013 em 21:29 | #8

    lembro de ler algo sobre a microsoft contratando ex-funcionários da sega para ajudar a desenvolver o x-box,,, não é a toa que o controle do primeiro x-box lembrava muito o sega saturn,,,,,de repente o x -box tem algo em comum com a sega em termos de desenvolvimento tecnológico!!!!!

  7. Filipe
    2, abril, 2015 em 11:53 | #9

    Quando lembro do mal aproveitamento das franquias da Rare pela Microsoft, não consigo me animar…

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