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H. e Jun Senoue no Tokyo Game Show 2010

Quem acordou, viu; e quem dormiu, ainda pode ver! Confira aqui no Passagem Secreta os vídeos e comentários de uma das apresentações mais esperadas do evento. Será que valeu a pena madrugar para assistir aos berros de Takenobu Mitsuyoshi, e as novas canções-tema de Sonic Colors?

Antes de começarmos, convém ressaltar: A Sega of Japan e a Sega of America são empresas distintas. Enquanto que esta última é obrigada a viver de passado, a matriz japonesa detém algumas franquias de grande sucesso atual, tais como Sonic, Phantasy Star, Yakuza, Project Diva, dentre outras. Esta edição da Tokyo Game Show, para a empresa, teve como objetivo divulgar os novos lançamentos envolvendo essas marcas; conceito esse que se estendeu para esta apresentação de encerramento. Com isso em mente, dá pra evitar algumas surpresas desagradáveis durante essa matéria. Vamos lá então.

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True Blue

A apresentação começou com um pouco de atraso, iniciando com o já manjado trailer de Sonic 4, e emendando na música da Splash Hill Zone, com Jun Senoue – um dos responsáveis pela degradação sonora da franquia, mas não o maior deles – tocando no teclado. Como é uma composição de sua autoria, achei que ele poderia ter sido mais criativo no arranjo; o timbre do instrumento pode ser ouvido com facilidade em qualquer igreja próxima da sua casa. De qualquer forma, foi muito legal curtir novas imagens do jogo, e nos ajuda a acostumar com as músicas que Senoue compôs para o game, mesmo que tudo tenha parecido um pouco… desajeitado.

Após esse medley unindo as composições dos três atos da Splash Hill Zone, eis que Jun Senoue pega a guitarra e chama ao palco um cantor, para… Adivinhem! O jogo escolhido para ter a música-tema cantada ao vivo é Sonic Free Riders. Como todos os outros temas que já comporam para o Sonic, esse também não é lá essas coisas. Doido para que aquilo acabasse, senti quase um alívio quando a música havia terminado.

“Agora deve vir a H.”, pensei. Ledo engano, eles tinham mais cartas na manga para destruir minha audição. Dessa vez, foram chamados ao palco mais dois convidados – Kenichi Tokoi e Tomoya Ottani –  para tocarem juntos dois temas para Sonic Colors. Sério, se eu tinha alguma expectativa quanto a esses jogos, elas foram perdidas no momento que ouvi ambas as canções.

O melhor ficou para o final: O cantor, ao se despedir, disse algo como:

– Fiquem agora com a próxima banda – vira para o lado e pergunta algo como: ‘qual o nome mesmo?’ – H! Até mais pessoal!

E sai de cena de volta para a obscuridade.

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H.

E, finalmente, depois das canções desprezíveis, a atração pela qual acordei de madrugada. Enquanto o palco era arrumado para a banda, uma senhorita ficava enrolando o público, mostrando imagens do estande da empresa. Além disso, mostrou como se deve saldar a banda; fechando as mãos e levantando apenas os dedos indicador e anelar, lembrando a metade da letra H – e um gesto satânico para nós, ocidentais. O público obedeceu assim que a banda chegou, com Takenobu Mitsuyoshi na frente já mostrando a que veio. É incrível como esse cara é agitado, apesar do público japonês, que costuma aplaudir sentado. Arrisco dizer que ele se sairia muito bem aqui no Brasil – se estivesse ao lado de Tommy Tallarico, por exemplo, iria roubar a cena fácil.

Toda a banda estava presente – Hiro, Kai, Hidenori Shoji e Mitsuharu Fukuyama. Só ficou faltando mesmo o bateirista Eisei Kudoh, recrutado há um ano para a banda, que antes utilizava percussão pré-programada e tocada por playback. Dado o tamanho do palco e no fato de que um conjunto de baterias prejudicaria e muito a acústica do local, é uma decisão aceitável, até porque não fez muita diferença para a ocasião.

A primeira canção é da série Yakuza. Joguei pouco o primeiro da série, mas achei a música muito bonita, apesar do Engrish do Mitsuyoshi não ter contribuído muito para isso.

Logo depois, esperava por alguma música  das antigas. Ainda não foi dessa vez: a música seguinte era de Project Diva, cujo segundo game da série foi lançado recentemente, e estava estourando por lá. Um J-pop engraçadinho aliado a imagens de Hatsune Miku, bem legal.

Quando já havia perdido as esperanças de ouvir alguma música da Sega daqueles bons tempos, eis que o cantor anuncia “Daytona USA: Let´s go Away“. A versão não era muito diferente da que eles cantaram no Hyper Game Music Event 2007, e registrada oficialmente no CD do evento. Ainda assim, acompanhar em vídeo as papagaiadas do Mitsuyoshi não tem preço. Foi o ponto alto do show, e não era por menos: eis que, do nada, surgem vários funcionários da Sega envolvidos no evento, tornando a apresentação um verdadeiro Carnaval – só faltando balões caindo com serpentinas. E é aí que Mitsuyoshi-san se empolgou mais, tirando sarro dos outros integrantes da banda, gritando, errando… Enfim, a banda fez o possível para fazer com que essa última música valesse por toda a apresentação. E conseguiram.

Na transmissão pelo UStream, pude contar que umas 1200 pessoas assistiram. Pelo horário, realmente fica complicado da galera do outro lado do planeta acompanhar, mas ainda assim, foi muito legal. Apesar de algumas canções esquecíveis, valeu a pena. Espero que a banda tome a mesma iniciativa para futuras apresentações – e que estas sejam maiores e com mais músicas clássicas!

Jornalista de games, editor de vídeo e estudante de Audiovisual, escreve atualmente para a Revista OLD! Gamer. Além dos joguinhos, também dá pitacos sobre cinema, TV e tecnologia; sempre acreditando que a ironia é a melhor forma de sinceridade. Ouve Game Music e trilhas sonoras de filmes durante a maior parte do tempo, mas jura que é uma pessoa legal. Seguista, badernista e exorcista.

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  1. 20, setembro, 2010 em 07:01 | #1

    Agora é esperar chegar em casa pra curtir este post do Passagem Secreta com calma – e som alto.

    Até à noite! 😀

  2. 20, setembro, 2010 em 08:06 | #2

    (2) na frase de cima.

    E espero que esses MULAS da banda do Jun Senoue SE MANQUEM e LARGUEM ESSE ZÉ RUELA DE LADO PRA FAZER MÚSICA DECENTE… ¬¬

    • 00Agent
      20, setembro, 2010 em 08:28 | #3

      Ha, meio complicado, cara… rs

      Tô esperando os comentários de vocês! Eu por exemplo tô ouvindo várias vozes na minha cabeça do Takenobu Mitsuyoshi gritando!

  3. 20, setembro, 2010 em 11:10 | #4

    Fui um dos que dormi porque não me aguentei de sono.
    O que achei depois de assistir a alguns vídeos…

    Também senti uma estranheza ao ver o Jun Senoue nos teclados – pensei que ele só tocava guitarra. Parecia uma coisa feita nas coxas. Mas acho que esses minishows que ocorrem dentro da TGS não são levados tão a sério, como os showzões de verdade como o Hyper Game Music Event.

    Quando entrou os outros integrantes da True Blue – enfim entendi do que se trata –, nem deu vontade de aguentar até o final. Não sou muito fã da Crush 40, exceção feita a uma ou outra canção, e o mesmo vale para esta banda. Só gosto do Jun Senoue instrumental, que o digam as versões dele de “Splash Wave” e “Angel Island Zone”, e pelo jeito só do Jun Senoue instrumental na guitarra.

    Sobre a [H.], não é muito claro quem são exatamente os membros do grupo, mas eu acredito que acontece um rodízio entre os funcionários da Sega. Alguns, como o Keitaro Hanada, aparentemente só participam dos arranjos em estúdio, enquanto que o Hidenori Shoji, por exemplo, apenas toca ao vivo. Não tem uma formação fixa como era na S.S.T. Band. Suponho que o Eisei Kudoh foi chamado apenas para o Hyper Game Music Event 2008 (na época ele era um baterista de 14 anos), porque as músicas executadas na ocasião pediam uma batida mais orgânica.

    Aliás, permita me fazer uma correção, mas o último à direita, no teclado, estava o Mitsuharu Fukuyama, não a Chiho Kobayashi, que é uma mina que toca guitarra. Ela aparece nessa foto aqui, bem ao lado do Fukuyama: http://sega.jp/segamoba/news/nr_041019.html

    Que energia do Takenobu Mitsuyoshi! Ele é um fanfarrão impagável.

    E valeu pelo post!

    • 00Agent
      20, setembro, 2010 em 12:13 | #5

      É verdade, não levei muito a sério a apresentação, ainda mais pelo tamanho do espaço que os músicos tem à disposição no local. Ainda assim, o Senoue deveria ter pelo menos verificado o teclado antes, para não sair aquele troço esquisito no início da música, hehe

      Acompanhar a True Blue às 4 da manhã, é de fato um feito heróico. Eu deveria ganhar um achievement por isso. O cara é um ótimo compositor e guitarrista, mas quando resolve tocar aquelas canções que têm vocais… Sai de baixo.

      Agora, valeu por ter esclarecido a informação. Não sabia que a [H.] não tinha um grupo exatamente fixo. É por isso que o Takenobu Mitsuyoshi apresenta, na Let´s go Away, como os "membros atuais da H.". Isso também justifica o segundo nome da banda – a Sega Sound Unit. De qualquer forma, acabei de corrigir ali no post. Já o Eisei Kudoh, será que ele retorna? Espero um dia vê-los com uma bateria real.

      Eu até agora tô ouvindo na minha cabeça o Mitsuyoshi berrando. É insano.

      Corrigi a informação sobre a menina, não a conhecia. Valeu pelo toque e pelo comentário!

      • 20, setembro, 2010 em 21:00 | #6

        Uma época eu estava caçando reports dos shows da [H.] nos sites japoneses para tentar descobrir os integrantes, e daí comecei a reparar como mudava a formação. A Chiho Kobayashi aparentemente nem participa mais da banda, e acho até que o Eisei Kudoh só tocou no Hyper Game Music Event 2008 mesmo. Ah! Falando nisso, me dá raiva perceber como eles executavam (e executam) músicas de arranjos que não existem nos álbuns de estúdio.

        Acredita que nesse show aqui, por exemplo, tocaram a “Like the Wind”? http://sega.jp/location/report/2005/0319/

        Deixa eu bater a cabeça na parede…

        • 00Agent
          21, setembro, 2010 em 03:44 | #7

          É, fiquei chateado quando li que eles tocaram Space Harrier no Hyper Game Music Event 2008 e ninguém nem pra gravar…

          (correndo em direção à parede…)

  4. 20, setembro, 2010 em 18:51 | #8

    Momento "eu preferia não ter apertado o play": Mitsuyoshi rebolando a bundinha aos 3'04''. Nunca mais vou conseguir jogar Daytona sem lembrar dessa cena.

    • 00Agent
      20, setembro, 2010 em 19:19 | #9

      Eu nem reparei, porque fiquei reparando no solo do: Hiroooooooooooooooooooooow!

      A cada view é uma surpresa… Acabei de ver o Mitsuyoshi dando OI para o Sonic, e os zumbis do próximo Yakuza tentando pegar ele. Tô rindo muito!

    • 00Agent
      20, setembro, 2010 em 19:30 | #10

      Outra coisa que reparei é ele falando "OI" para o Sonic… Cara… Ele é uma surpresa a cada view!

  5. 20, setembro, 2010 em 19:03 | #11

    Fora os "problemas" já apresentados, gostei da música tema e da música da primera fase de Sonic 4, é uma variante da original green hill zone, assim como aconteceu com Sonic 2. Gostei disso porque garante o revival – além da melodia ter me agradado bastante.

    Agora falando sobre o show, um único detalhe: o timbre escolhido por ele é um piano rhodes, típico pra algo assim (bem japa, bem Casiopea…). Entendi seu comentário sobre o timbre mas é porque você fez uma natural associação ao "timbre que usam nas igrejas" – mas isso é apenas coincidência 😀 Numa performance como essa, onde ele está complementando com um synth, um piano rhodes é uma escolha convencional, não há problemas aí 😀 Ele errou bastante por sinal, rs

    De resto concordo com tudo mas mesmo assim queria estar lá. Afinal, aqui no Brasil, só temos… deixa pra lá. VGL, show da banda [H.] – qualquer coisa dessas eu estaria dentro, na primeira fileira 😀 (VGL não vai ter em Salvador este ano e só teve ano passado, então imaginem a minha "seca" de ver game music ao vivo).

    • 00Agent
      20, setembro, 2010 em 19:22 | #12

      É, se não me engano o Minoru Mukayia usou muito esse teclado no Casiopea Perfect Live. Já estou muito acostumado a ouví-lo, mas não cheguei a correr atrás para saber que era de um piano Rhodes. Valeu por ter nos trazido esse insight, hehe, e nos ajudado a descobrir o que os músicos das igrejas andam tocando ;D

      Eu não gostei muito da parte do Sonic 4, mas foi muito melhor do que se seguiu depois, até chegar a [H.]. Gostou da apresentação do Hiro?

      Ah, e obrigado a vocês por terem assistido. Deu um trabalhão pra reeditar tudo, e sincronizar o áudio e o vídeo (já que os streams estavam separados e com framerate diferentes… pfff)

  6. 20, setembro, 2010 em 19:30 | #13

    Puxa Rafael, até esqueci de comentar isso: parabenizar por capturar os streams (e/ou coletá-los), ajustar tudo, sincronizar e disponibilizar pra gente com a descrição completa na matéria. 00Agent, autoridade brasileira em game music da SEGA, isso é fato.

    E – putz – foi como eu disse, Rafael: como queria estar lá pra gritar "Hirooooo!! Olha nóis aqui!!!!". Sei lá, era capaz de acontecer isso mesmo…

    • 00Agent
      20, setembro, 2010 em 19:38 | #14

      Haha, que isso, não é para tanto! Eu queria gritar de casa mesmo, mas aí eram 4 da manhã… Meio complicado, né, rs

  7. 21, setembro, 2010 em 11:45 | #15

    Muito legal a matéria, já esperava por esse naipe na análise.

    A Splash Hill Zone, pra mim, é uma das raras músicas de Sonic 4 (pelo menos na OST que "vazou") que se salvam no game. Sinceramente, acho que esse tal de Jun Senoue é conhecido até demais. Gostaria mesmo é de ver em cena o (esse sim) genial Masato Nakamura, líder da banda nipônica Dreams Come True, que fez toda a trilha de Sonic 1 e Sonic 2.

    Realmente, o que foi essa exibição das músicas de Sonic Colors? Cara, simplesmente isso não combina com Sonic, talvez sim com outros games BEM diferentes.

    Legal a primeira música da [H.], do game Yakuza, principalmente a guitarra em alguns solos. A propósito… qual é o nome do cantor que precedeu a banda [H.] mesmo? 🙂

  8. 00Agent
    21, setembro, 2010 em 12:28 | #16

    Acho que o nome dele era Ben. Mas quem se importa, né? rs

  9. Isaias Ramos
    30, outubro, 2010 em 21:14 | #17

    Concordo com o mcs. Sonho ver Masato Nakamura nesses Game Music Shows espalhados pelo Japão…

    Nesses vídeos, pra mim, só Daytona se salva. Uma perguntinha básica: esse cantor do H é o mesmo que canta originalmente Daytona USA no Saturno? =)

    • Rafael '00Agent
      31, outubro, 2010 em 09:18 | #18

      É sim, é o Takenobu Mituyoshi, o cantor e compositor da bagaça toda.

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