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Maratona Game Movies – Tomb Raider: A Origem da Vida (2003)


Ela é sexy, forte e inteligente. Tão inteligente que conseguiu mais de 274 milhões de dólares nas bilheterias do mundo todo, com Tomb Raider. É claro que, com um sucesso desses, Lara Croft deveria voltar para mais uma aventura, certo? Pois então: A Origem da Vida”, lançado em 2003, traz Angelina Jolie de volta no papel da heroína bem dotada em mais um filme entupido de ação. Mas isso é bom ou ruim? Bem, depende do ponto de vista. E o meu, você confere agora!Um dos problemas do filme original era o seu roteiro consideravelmente fraco, o que trazia cenas bem arrastadas em alguns momentos da aventura. Felizmente, essa questão era sanada no próprio filme com momentos intensos de ação e a presença de cena incrível de Jolie, que praticamente carregou todo mundo nas costas. O segundo filme, infelizmente, não se esforça em melhorar nada nesse sentido. Escrita a três mãos, sendo uma delas a de Steven E. de Souza (TUM!), a história é bem simples: O filme abre na Grécia, onde ocorre um casamento nas montanhas, que prontamente é interrompido por um terremoto. Após a total falta de sentido dessa sequência, alguém explica que os tremores serviram para revelar a localização de um templo submerso, onde estaria escondida uma esfera que serviria como mapa para localizar a Caixa de Pandora. O artefato é cobiçado por Jonathan Reiss, cientista que pretende usá-lo para controlar uma das pragas mais poderosas do mundo, que supostamente está dentro desta Caixa. Como James Bond estava no horário de almoço, o MI6 decide contatar Lara Croft para impedir que a Caixa de Pandora caia nas mãos do vilão. E assim vai.

Com uma história tão banal como essa, da qual nem mesmo os personagens parecem se importar muito, o caminho está aberto para mais cenas de ação, das quais o filme está repleto, chegando até a cansar pelo excesso de adrenalina. Joe de Bont, que dirigiu “A Origem da Vida”, infelizmente não conseguiu reproduzir a diversão do primeiro filme, comandado por Simon West. Apesar de algumas sequências coreografadas de forma espetacular, elas não empolgam tanto quanto as pirotecnias da aventura original, que era bem mais estilizada e com um elenco de apoio mais carismático. Aliás, se no caso a premissa para aproveitar o primeiro Tomb Raider era a de deixar o cérebro do lado de fora da sala de cinema, “A Origem da Vida” revela logo nos primeiros quinze minutos que agora é melhor pegar a massa encefálica e jogar na privada, dando descarga logo em seguida. E uma das sequências mais emblemáticas, é justamente a que envolve o confronto entre Lara e um tubarão. Um verdadeiro absurdo.

Socando em tubarões e semelhantes, Angelina Jolie parece bem mais segura no papel – até mesmo seu falso sotaque britânico passa despercebido desta vez – mas o roteiro dá poucas chances para mostrar outras facetas de Lara Croft, já que ele não há tempo para isso, preferindo mostrá-la mais em ação e executando diferentes movimentos bacanas. Há exceções, porém, quando no fim da aventura, Lara têm de fazer uma escolha difícil, que envolve seu antigo amante Terry Sheridan, que na aventura é um companheiro na missão. No entanto, Gerard Butler interpreta o personagem de forma tão tediosa que a cena não possui o impacto da qual deveria representar em primeiro lugar. Chris Barrie e Noah Taylor reprisam respectivamente os personagens Hillary e Bryce, que estão sempre à serviço de Lara Croft e do alívio cômico necessário para um filme desse porte. Ciarán Hinds faz o papel do vilão Jonathan Reiss, que cairia muito bem em um filme clássico do 007; por isso sua performance não é tão memorável.

Lara e Terry radicalizando no Chroma Key… digo, na Muralha da China!


Já no aspecto técnico, o filme é bem executado. A fotografia de David Tattersall (de Star Wars Eps. I, II e III e 007 Um Novo Dia Para Morrer) é sensacional, mostrando da melhor forma possível todas as locações exóticas e sets dispendiosos. Já na edição, o filme peca em alguns aspectos: algumas sequências parecem terminar de forma abrupta, gerando uma transição pouco fluente entre algumas cenas. É até surpreendente ver esse tipo de coisa e logo depois descobrir que o editor é  ninguém menos que Michael Kahn, o mesmo de vários filmes do Steven Spielberg. De qualquer forma, esses cortes estranhos ocorreram apenas em duas partes no início da película; outras cenas não foram prejudicadas.

O chato mesmo é que algumas tomadas de ação utilizaram o efeito de posterização temporal; sabe quando o “frame-rate” de uma sequência cai, mostrando uma imagem mais travada? O filme está repleto de efeitos assim, que dão mais a impressão de que o DVD está arranhado do que qualquer outra coisa.

A trilha sonora incidental do primeiro Tomb Raider foi um verdadeiro problema: tendo apenas 10 dias para produzir material, Graeme Ravell apenas pôde compor músicas que servissem literalmente como fundo sonoro para diálogos e outros tipos de cenas, sendo que a maior parte dos momentos de ação contou com diversas músicas eletrônicas licenciadas como acompanhamento musical, de artistas como Fluke e Fatboy Slim. Na continuação, os produtores puderam contar com uma partitura totalmente original, produzida por Alan Silvestri, conhecido por De Volta Para o Futuro e… Super Mario Bros. Assim, toda a trilha sonora do filme é bem mais coesa, tendo inclusive a criação de um tema para Lara Croft, que busca retratar de alguma forma o heroísmo da personagem com as excentricidades de suas aventuras. Este tema aparece pela primeira vez logo no início do filme, e vai ressurgindo durante outros momentos-chave.

Mas apesar da excelência técnica, Tomb Raider: Cradle of Life não empolga. De alguma forma muito estranha, Joe de Bont não conseguiu aproveitar o que tinha em mãos, nem mesmo estabelecer algum tipo de emoção ou tensão encontrado nas cenas de ação do filme anterior, que praticamente o salvaram do fracasso naquele momento. E a sensação de que a heroína sempre irá se safar da situação, não importando a circunstância, apenas contribui para um filme cheio de adrenalina, mas que não necessariamente diverte. O resultado é uma película cuja história fraca, que busca chupinhar ao máximo os filmes do Indiana Jones, convence menos ainda pela performance dos atores (incluindo aí Jolie, que não parece tão empolgada quanto no primeiro filme), e com momentos de tensão que falham em estabelecer a sensação proposta, trazendo puro tédio em contrapartida.

Aliás, vale lembrar que, a exemplo do filme original, Lara executa alguns movimentos semelhantes aos que faz nos jogos da série; essa é a única relação que pode ser feita com os games, infelizmente. Isso se não contar o fato de que a Paramount Pictures culpou o resultado consideravelmente decepcionante nas bilheterias ao lançamento conturbado de Tomb Raider: The Angel of Darkness, que saiu para PS2 com uma série de bugs e problemas de acabamento, já que foi apressado para um mês antes da estreia do filme.

Mesmo assim, iniciou-se o planejamento para um terceiro filme da série, mas tudo foi por água abaixo quando Angelina Jolie declarou não ter mais vontade em interpretar Lara Croft. Também pudera: com duas oportunidades meio que perdidas em aproveitar seu excelente potencial de atriz versátil, não seria na terceira que a coisa iria engrenar. Muito pelo contrário.

Eu não consigo fazer isso nem mesmo no Wave Racer 64… DO A BARREL ROLL!


Jornalista de games, editor de vídeo e estudante de Audiovisual, escreve atualmente para a Revista OLD! Gamer. Além dos joguinhos, também dá pitacos sobre cinema, TV e tecnologia; sempre acreditando que a ironia é a melhor forma de sinceridade. Ouve Game Music e trilhas sonoras de filmes durante a maior parte do tempo, mas jura que é uma pessoa legal. Seguista, badernista e exorcista.

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  1. Flavio Master
    19, agosto, 2011 em 08:25 | #1

    Triste fim pra uma franquia que até prometia. Eu nem vejo grande problema em aproximar a ação de um modelo "Indiana Jones" pois sempre achei que a ação do game remetia muito ao aventureiro, mas com um protagonista mais, digamos, interessante. A diferença é que a ação e aventura que rola nos filmes do Indiana não é algo gratuito, diferente do contínuo sistema "Carga de Adrenalina" desse filme.

  2. danielgfm
    19, agosto, 2011 em 09:22 | #3

    Não sei quanto a vocês, mas esse filme é chato de doer… nem vou tentar escrever mais a respeito, pq, senão iria começar o pessoal que for postar aqui! XD

    • 19, agosto, 2011 em 11:35 | #4

      Eu também não penso muito diferente de você… Você achou que não deixei isso claro ali no texto não? Pode divagar mais a respeito, cara! Esse espaço aqui é seu para você colocar a boca no trombone, a cara pra bater, o pau pra matar a cobra, o rosto à tapa, a voz no mundo, a…

      • danielgfm
        19, agosto, 2011 em 19:35 | #5

        Eu bem que tentei assistir este filme, mas é de uma tristeza sem tamanho a qualidade do mesmo – o primeiro só não é pior porque, enfim, Street Fighters faz jus de como não se fazer um filme baseado em Games, seguido de Resident Evil -, a história é fraca, o conceito ruim e a atuação é interessante, mas, não faz jus.

        A começar que tentou se fazer algo como Indiana Jones, mas, simplesmente não deu, porque não existe como criar um Indiana Jones de saia, depois sequer tentam dar identidade a Lara Croft no filme, como se ela fosse somente boooooooooooooooooooooooooooooobs e pense num sotaquezinho odioso na versão original em inglês.

        Enfim, prefiro mil vezes assistir Chaves e Chapolim, pelo menos eles tem mais identidade.

  3. pedro12
    19, agosto, 2011 em 14:24 | #6

    É triste ver isso.Vi o primeiro filme em DVD e tinha gostado.Do segundo também.Mas após ver isso,revi o filme.E realmente o roteiro é genérico e tem tantas cenas de adrenalina que tiram a graça do filme.E também as cenas mentirosas,como fazer um mortal com um Jet Ski,que nem em jogo de 7ª geração é possível.

    • 20, agosto, 2011 em 12:44 | #7

      Pois é, tem muita coisa acontecendo que lá pra metade fica bem chato. E o o clímax acaba ficando sem graça também.

  4. Giulian Steel
    19, agosto, 2011 em 17:46 | #8

    DO A BARREL ROLL! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    Nem nos meus tempos de vício supremo no Wave Race eu fazia

    Eu jogava pouco Tomb Raider até ver os filmes, a expectativa era grande. O primeiro ainda vai, mas o segundo me fez re-aproximar dos games da séries mesmo KKKKKKKKKK
    Acho que se fosse focado mais na exploração com bons efeitos especiais ao invés de ação majoritária o filme seria mais fiel aos games.

    • 20, agosto, 2011 em 12:45 | #9

      Verdade… Se tivesse só uma ou duas super cenas de ação que compensassem pelo filme todo, aí seria legal. Mas não, é só porrada e correria o tempo todo, acaba cansando mesmo.

  5. Pedro Flag
    19, agosto, 2011 em 22:03 | #10

    Eu tbm não gostei desse tomb raider… mais ai eu quero ver quem tem coragem de ver o the king of fighter ai, adoraria ver uma maratona desse filme bizarresimo rsrsrssrs
    Esse consegue ser pior que o the house of the dead!!!!!!

  6. 21, agosto, 2011 em 22:17 | #13

    HAUhAUhAuhaUHu!!

    Pouca gente deve ter entendido a piada. É que o Filipe "Kurt" aí em cima, visitante assíduo do blog, é o mais novo membro do Passagem Secreta. Parabéns!

    • kurtrizzo
      22, agosto, 2011 em 10:13 | #14

      Valeu! E logo mais já tem post escrito por este que vos fala – e ainda não é sobre os filmes do Uwe Bowl, nem o do Tekken!

  7. danielgfm
    22, agosto, 2011 em 11:22 | #15

    Se o filme do KoF for um que eu vi no Telecine Premium, estou a ponto de recategorizar o filme do Mario como o segundo pior!

    • Giulian Steel
      23, agosto, 2011 em 16:17 | #16

      É esse mesmo, ta dando no Telecine Premium direto.
      Incrível como escalaram um ator pra fazer o Rugal tão parecido com o Geese KKKKKKKKK
      Fiquei boa parte do filme pensando que Geese era o vilão.

  8. 10, novembro, 2011 em 20:12 | #17

    @danielgfm

    Nossa esse filme do KoF é tão ruim que nem lembro dele como uma coisa existente. kkkkk Realmente, há que se caracterizar o Mario como o segundo melhor. Não, terceiro aliás. NÃO vá ver o filme Alone in the Dark 2. Esse sim é o PIOR DOS PIORES. Alone in the Dark II, novamente feito pelo Uwe Boll (droga!!) e, sério, impossível competir com ele em termos de mediocridade…

  9. Washington
    21, novembro, 2011 em 12:18 | #18

    Silent Hill também está na lista da maratona ?

    • 21, novembro, 2011 em 14:06 | #19

      Em Dezembro a Maratona vai voltar com força total, já que alguns membros do blog (incluindo este que vos fala…) estarão de férias.

      Abraço!

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